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sábado, 21 de outubro de 2023

Propaganda da semana: Linha Charger (1973)

Não é nenhuma novidade dizer a vocês que os veículos do ano seguinte geralmente são lançados de modo antecipado; exemplo muito recorrente é o Monza 1986 que a Chevrolet lançou na metade de 1985 com muitas mudanças positivas, algo que certamente irritou vários compradores de um carro novinho e já um tanto desvalorizado...

Mas o pessoal da Chrysler, ao menos para o ano de 1973, não chegou assim tão cedo. Basta a gente ver o anúncio que abaixo apresento (cortesia da Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina e o seu ótimo trabalho de digitalização da vasta hemeroteca), publicado na edição de 08/12/1972, já véspera de 1973, a pedido do concessionário da região, a Meyer Veículos:


A linha 1973 trouxe novidades estéticas, principalmente em questão de faixas e a frente com esse par de grades individuais a esconder dois pares de faróis (note que o Charger tem o logotipo 'Dodge' acima do capô, em vez do R/T ao lado). Se pudesse, ah se pudesse, pediria um R/T equipado com ar condicionado pra andar confortável e um tanto rápido nas estradas daquele já distante ano de 1973...

sábado, 12 de março de 2022

O recall dos Dodge nacionais (1971)

O artigo 10, parágrafo primeiro, do Código de Defesa do Consumidor - Lei n. 8.078/1990 - é bastante claro ao indicar que "o fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, mediante anúncios publicitários".

Opa, mas isso não é um blog de carros antigos? Sim, sempre foi e continuará a ser. Ah, então o tiozinho que escreve se embaralhou na hora de fazer postagem e copiou algo do juridiquês para colocar no blog, né?

Não, garanto que não. Foi de caso pensado! Falo aqui de tal tema (ainda que bem superficialmente) para gente lembrar que em uma atividade industrial como a automobilística - que, em uma visão muito simples, é responsável por agregar um bom número de peças (geralmente feitas por terceiros) para compor o produto final, o automotor - os riscos não são exatamente impossíveis, e não é raro que alguém seja chamado pela fábrica para reparar, gratuitamente, uma peça ou sistema que apresentou defeito. 

Tanto é assim que isso aconteceu muito antes da gente se acostumar ao termo recall (e mesmo antes de o Código de Defesa do Consumidor ter sido sancionado), à exemplo do que vemos na seguinte notícia, veiculada no extinto jornal O Estado, de 20-3-1971:



A fábrica indicou que "algumas das rodas que equipam alguns Dodge Dart podem não estar de acôrdo com as nossas rigorosas especificações de concentricidade", frase que pode ser considerada como um ótimo exemplo de eufemismo corporativo: afinal de contas, rodas apresentaram um defeito na furação bem sério, evento a revelar dupla falha no controle de qualidade (o da Chrysler e o da fabricante das rodas). E sofrer de vibração (na melhor das hipóteses) numa velocidade acima de 130 por hora não é algo exatamente agradável... ou seguro!

Notem, ainda, que não se usou o termo recall e nem houve uma convocação tão ampla (tal como a Chevrolet quase implorando para que os proprietários fossem às concessionárias resolver o problema do sistema de air bag potencialmente perigoso), mas eram outros tempos... De todo modo, se você por acaso tiver um Dodge Dart 1969/1971 e as rodas originais do bicho não estiverem com seus furos lá muito concêntricos, ainda há tempo de comparecer a um concessionário para um exame técnico...

sábado, 3 de julho de 2021

Qual carro comprar: Guia Analítico Auto Esporte (1976)

Esperava-se muito do Salão do Automóvel que ocorreu em 1976, mas, naquele ano bissexto, a novidade mesmo foi o Fiat 147. Dupla novidade, aliás, pois a fábrica e o modelo estrearam em nosso mercado e, apesar dos percalços e das dificuldades, a montadora, situada em Minas Gerais, construiu uma história de êxito não usual: naquele 1976, seria difícil imaginar que a montadora italiana um dia suplantaria a enorme Volkswagen do título de maior vendedora de veículos no Brasil.

Mas além do pequeno 147, as demais montadoras também tinham lá as suas novidades, como podemos ler deste interessante guia analítico produzido pela revista Auto Esporte e publicado na edição de novembro de 1976, cuja íntegra abaixo reproduzimos:
















Naquele já distante ano de 1976, você poderia comprar um automóvel da Chrsyler, da Fábrica Nacional de Motores - FNM, Ford, Fiat, Chevrolet, Volkswagen, Lafer e Gurgel e ser feliz com a caranga nova. Poderia ser um simples Volkswagen 1300 ou um caro Lafer LL, era opção para todos os gostos e bolsos. E o curioso é que dentre as fabricantes, apenas a Chevrolet, a Fiat e a Volkswagen permanecem na ativa em nosso pais. Muita coisa mudou desde aquele ano....

sábado, 16 de janeiro de 2021

Linha Chrysler 1974

As atenções da Chrysler do Brasil estiveram voltadas no ano de 1973 ao seu caçula (em idade e em tamanho), o Dodge 1800. É uma história que já contamos aqui várias vezes, mas não canso de repetir: o Doginho nasceu com uma série de doenças infantis, maior parte delas devida ao lançamento prematuro, circunstância que, aliada ao pobre controle de qualidade, irritou muita gente que comprou o carro. Apesar de tudo, era um projeto promissor - apenas de "mal nascido" - e a fábrica do pentastar precisou se mexer rapidamente para resolver as coisas.

No ano de 1974, segundo ano de produção, o Dodge 1800 recebeu mais atenção (sobretudo na manufatura e no controle de qualidade) e um carburador inglês da afamada empresa SU - de Skinner Union (Herbert Skinner e o seu primeiro carburador, modelo Union, daí a sigla SU), melhorias que resultaram na melhor potência, performance, consumo e qualidade geral, conforme podemos ver da avaliação assinada pelo saudoso Expedito Marazzi e ilustrada por Paulo Lorgus para a edição n. 159 da Quatro Rodas:






Marazzi se queixou dos pulos que o Dodge 1800 desempenhava nas freadas mais fortes (cuja responsabilidade atribuiu ao eixo traseiro) e das falhas no acabamento (apesar de melhorado); porém  o inesquecível redator pôde antever que o simpático Doginho era bastante promissor. A Revista Auto Esporte, em sua edição de outubro de 1973 - sem, infelizmente dar crédito ao redator e ao fotógrafo - fez uma rápida avaliação do modelo 1800 e elogiou as melhorias, embora criticasse uma falha no sistema de freios, provavelmente uma falta de atenção na revisão antes do teste:



Com tanta novidade e esforço ao modelo menor, a Chrysler não teve lá muito tempo para pensar em algo mais elaborado para os filhos maiores (bem maiores, aliás). Mas isso não significa que eles não receberam presentes de natal, à exemplo do Charger R/T, esportivo agraciado com ignição eletrônica (coisa que a Simca já usava nos anos 60, mas ainda era um bocado rara) e um novo esquema de faixas, além de novas cores:


Ah, se pudesse eu teria um Charger R/T verde córdoba (código de plaqueta G9) com interior bege, com um possante ar-condicionado sempre ligado e gelado, pronto para fugir do congestionado litoral e encarar as serras de Santa Catarina, com torque de sobra para subir paredes e fazer curvas de um jeito bastante divertido...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Um Dodge V-8 para curtir com a turma: Marcopolo Veneza Dodge D-900 (1977)

A Chrysler do Brasil, apesar das dificuldades financeiras, sempre se revelou uma empresa das mais inventivas: um bom exemplo se traduz na pesquisa do uso do álcool hidratado como combustível para seus motores, isso na alvorada do Programa Nacional do Álcool - Proálcool, iniciativa deflagrada pelo então governo Federal por meio do Decreto n. 76.593, de 14-11-1975.

Naquele mesmo ano a fábrica do pentastar - com o apoio técnico coordenado pelo Centro Técnico Aeroespacial - CTA, à época sob a responsabilidade de Urbano Ernesto Stumpf - fez os ajustes necessários ao uso da novidade no motor 4 cilindros do Dodge 1800. E em companhia de um Volkswagen 1300 e de um Gurgel (outros companheiros da iniciativa pioneira), um exemplar do Doginho percorreu no final de 1976 mais de 8.000km em um teste denominado "I Circuito de Integração Nacional":

Apesar das prováveis dificuldades com o maior poder corrosível do álcool, o Dodge 1800 saiu-se bem na prova de mais de 8.000km. Atrás dele, um Gurgel Xavante que também participou do teste.


Ainda bem que esse interessante Dodge 1800 sobreviveu para nos contar a história! (Imagens extraídas do excelente: http://antigosverdeamarelo.blogspot.com/)

Interessante que nos registros oficiais (consultados via Sinesp) o Dodge aparece como modelo 1977: o mais plausível é que o Dodge 1800 de chassi n. 47.450 seja um pré-série fabricado em 1976 modelo 1977, especialmente porque a cor azul não consta da paleta de cores oficial da fábrica naqueles dois anos modelo!

Os resultados dos estudos capitaneados pela fábrica - cuja responsabilidade recaiu sobre a equipe do engenheiro Clóvis Michelin - também apareceram apareceram na edição de 08/1976 da revista Quatro Rodas:

Notem que o motor desse interessante Dodge 1800 1975 Gran Luxo branco valência ainda usava o interessante carburador SU

Flávio Vincenzetto não teve autorização do CTA para aferir o desempenho dinâmico (inclusive consumo) do Doginho, mas constatou que a dirigibilidade parecia não estar comprometida com o uso do álcool.

E além do propulsor menor, a Chrysler do Brasil também trabalhou na adaptação do seu V8 ao novo combustível vegetal, conforme vemos estas imagens destes exemplares de 1981, todas localizadas por meio do buscador do Google:

Um interessante Dodge Dart sedã a plena carga para testes com o combustível vegetal

Este Polara GL certamente já lidava bem com o álcool, até porque esta nova tecnologia já estava nas ruas há dois anos pelas mãos da Fiat e da Volkswagen

Pena que a Chrysler - inclusive a matriz americana - atravessavam tempos muito difíceis e a fabricante deixou de produzir seus Polara e Dart em 1981 sem lançar uma versão etílica, uma triste injustiça com esta pioneira que somente se explica pela falta de recursos... Mas ao menos o confiável V-8 foi aproveitado pela Volkswagen Caminhões em alguns dos modelos de caminhão Dodge (além dos novos cargueiros com seu nome), à exemplo deste interessante E-21, lançado em setembro daquele ano:


Note que a potência com o uso de etanol era até bastante apreciável; contudo, o consumo em solicitações extremas poderia ser mensurado em centenas de metros por litro, daí porque o uso de tais cargueiros ficou restrito à indústria sucroalcooleira (catálogo publicado no saudoso site Caminhão Antigo Brasil)

E se a Chrysler do Brasil trabalhou entre os anos de 1975 até 1981 na utilização do combustível derivado da cana-de-açúcar para mover automóveis de passeio e veículos de carga, houve, também, a inédita inciativa de criar um chassi para ônibus com o conhecido pentastar.

Ah, antes que você me pergunte, sabemos que até os anos 70 era relativamente comum ver um ônibus montado sobre um chassis de caminhão, aproveitando-se, para isto, da frente do veículo (cabine sem portas e teto, às vezes até sem a moldura do parabrisas original), como este Dodge D-700 encarroçado pela Caio no modelo Gabriela Andino:

Imagem publicada por Paulo Roberto de Morais Amorim no site Ônibus Brasil

Marcopolo também encarroçou alguns Dodge, à exemplo deste modelo Sanremo ST, praticamente fabricado para o mercado externo, sobretudo latino-americano: 


Imagens localizadas por meio do buscador do Google: avise-me se for o primeiro a disponibilizá-la para divulgar aqui os devidos créditos!

Sabe-se que a fábrica cogitou em 1976 a sua entrada no concorrido mercado de chassis de ônibus, mas, em maio do ano seguinte, a ideia de usar os chassis do D-400, D-700, D-900 e D-950 foi abandonada. Não sem antes pensar em uma solução que parecia promissora: o uso de um chassis para ônibus urbano movido a álcool!

Naquele período, o pessoal da engenharia da Chrysler preparou a plataforma do modelo de caminhão D-900 equipada com um pioneiro V-8 318 alcoolizado e o enviou a cidade de Caxias do Sul/RS para a Marcopolo montar sua carroceria urbana então em produção, o modelo Veneza, cujo resultado podemos ver abaixo:

Imagem publicada por Gilberto Martins no site Ônibus Brasil

Notem que o simpático Veneza era relativamente curto para um coletivo usualmente aplicado no transporte coletivo de passageiros (mas, de todo modo, parece ser maior do que os 5,00m da medida de entre eixos mais longa disponível no catálogo do D-900 e D-950) e em razão do eixo dianteiro avançado, a solução foi aplicar a porta dianteira atrás dele, solução aplicada à época nos chassis Mercedes-Benz LP-1113 e Scania no modelo B-110:

Notem que o veículo experimental foi até mesmo equipado com o posto para cobrador, instalado à direita da porta traseira (imagem do acervo de Jozoilton Souza Lopes publicada no site Ônibus Brasil)

Notem a grade auxiliar para auxiliar o arrefecimento do interessante V-8 que morava na dianteira desse chassis D-900 (imagem localizada no buscador do Google)

O coletivo recebeu as chapas NQ-2610 de São Bernardo do Campo/SP e possivelmente foi utilizado no transporte de funcionários e até mesmo como "mula" para a continuação do desenvolvimento do motor 318 movido a álcool. Mas isso são apenas conjecturas, pois não encontrei referências sobre a vida útil desse interessante Marcopolo/Dodge, especialmente a respeito do que aconteceu após a absorção da fábrica pela Volkswagenwerk. Tampouco sei se outro ônibus assim foi montado...

Porém, há uma remota possibilidade de este modelo (ou de outro idêntico?) ainda existir, pois em 2012 este ônibus transformado em motorhome foi fotografado por Breno Jhonatan na cidade de São Gotardo/MG:

Imagem de Breno Jonathan publicada no site Ônibus Brasil

Digo que há uma remota possibilidade de o Veneza retratado mais recentemente ser o protótipo da Chrysler porque: a) não há notícia de outro chassi Dodge D-900 ter sido encarroçado pela Marcopolo (ou qualquer outra empresa do ramo); b) as dimensões retratadas nas fotos são bastante semelhantes (note que o número de janelas - contando as suprimidas - é o mesmo daquelas constantes no Veneza Chrysler); e, c) o emblema da Mercedes-Benz pode indicar a aplicação de um motor diesel da marca germânica, mas as informações do Sinesp dão conta de que este veículo é um legítimo D-900 fabricado em 1977:


Interessante é que as iniciais da chapa são referentes à sequência que foi atribuída em 1991 pelo Denatran ao estado de São Paulo, circunstância que reforça a origem paulista deste Marcopolo Veneza com chassi Dodge. Vai que esse coletivo ao sair da fábrica - se realmente o ônibus CKP-7037 for o nosso protótipo - permaneceu em São Paulo até ser transformado em motor casa? São conjecturas, apenas...

As lanternas traseiras não são mais originais e o teto foi ampliado para o seu uso como lazer. E o veículo estava em muito bom estado! (Imagem de Breno Jonathan publicada no site Ônibus Brasil)

Talvez nunca teremos certeza de que esse Veneza motorhome antes foi o inédito D-900 movido a álcool; se for, certamente o pioneiro alcoolizado (hoje com motor diesel, ao que tudo indica) está divertindo seus novos proprietários nessas muitas estradas do Brasil...

domingo, 8 de novembro de 2020

Dodge Polara GLS: vida breve, em três avaliações (1980)

O Dodge Polara é um dos automóveis dos quais volta e meia falamos por aqui, não só porque foi produzido pela Chrysler do Brasil (eventualmente, uma das nossas favoritas), mas por se tratar de um projeto interessante e até que moderno para o nosso mercado, apesar de ter nascido com um sem-número de falhas e defeitos - todos (ou a quase inteireza deles) resolvidos e até mesmo mitigados entre os anos de fabricação (1973-1981).

A versão GLS foi o último lançamento da linha Polara, veio ao mundo em 1980, já sob a responsabilidade da Volkswagenwerk, um dos desdobramentos do grande conglomerado Volks que nasceu no Brasil com o ambicioso (e bem sucedido) projeto de vender caminhões. Alguns detalhes de acabamento diferenciados distinguem a versão Gran Luxe Super, a começar pelas calotas plásticas integrais e o acabamento interno executado em um xadrez bem elegante; porém, o mais interessante, além do quadro de instrumentos completo, foi a instalação de um carburador com corpo duplo, deixando o já interessante motor de quatro cilindros um pouco mais potente e econômico.

Essa novidade - a última da Chrsyler do Brasil - foi apreciada pela imprensa automotiva e hoje é dia de recordar as avaliações das revistas automotivas da época para saber  quais as opiniões (defeitos e virtudes) do interessante e mais luxuoso cupê da linha Polara, a começar pela avaliação da Auto Esporte, publicada na edição n. 188/1980:





Para o pessoal da Auto Esporte, foi sábia a decisão de lapidar o Polara ao invés de partir para um lançamento mais inédito, especialmente porque já se antevia o desinteresse da VWB em melhorar o carro até o ponto de prejudicar as vendas do Passat, outro excelente veículo médio e forte concorrente do Polara.





Já a turma da Quatro Rodas sentiu falta de uma transmissão com uma quinta velocidade e reclamou da baixa autonomia do tanque de combustível: é que em 1980 os veículos a gasolina não poderiam ser abastecidos durante os finais de semana e feriados (medida para diminuir o consumo, vejam só...) e um reservatório mais amplo era muito útil naqueles tempos...





Por fim, o pessoal da Motor-3 apontou os mesmos defeitos e qualidades dos demais colegas, além de sugerir a demora no lançamento de tal versão, pois o Passat TS há muito aproveitava a imagem de um médio-esportivo com sucesso. Sim, pois depois da versão SE do Polara, nada mais veio nesse lugar...

Bom, sabemos que o Polara GLS deixou o mercado com o encerramento da produção dos veículos Chrysler - e por isso esta versão é uma das mais difíceis de se ver nas ruas. O último que vi foi lá em 2012, estacionado numa garagem de um prédio do meu bairro, mas, depois de uns meses, sumiu de lá...