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domingo, 8 de agosto de 2021

Avaliação da Semana: Ford Galaxie "standard" (1970)

Dia desses comentamos a respeito do lançamento do Dodge Dart  e do efeito que ele proporcionou no mercado nacional. Foi um sucesso, posso dizer sem ser muito imparcial (sim, eu sou fã do Dart), e seus predicados o levaram para o desejável prêmio de "Carro do Ano" da revista Auto Esporte, conforme se vê da capa da edição publicada em Março de 1970:

Então, é natural pensar que a concorrência, especialmente a Ford, não assistiria passivamente a concorrente abiscoitar uma importante fatia do mercado de automóveis grandes e logo tratou de atacar o Dart por um de seus predicados: o preço. 

Carro no Brasil sempre foi caro (e antes era mais complicado pela escassa oferta de crédito de então), então o argumento do preço acessível sempre foi muito forte, daí porque a Ford teve a ideia de lançar um Galaxie 500 com o estritamente necessário, cortando todo o supérfluo (sem, contudo, perder as qualidades de conforto de marcha e mecânicas), tudo para se manter na faixa de preço do Dart. O resultado a revista Auto Esporte nos conta, na mesma edição comemorativa ao prêmio concedido ao rival:






O interessante foi que a Chrysler lançou um Dart mais standard ainda, com muito menos supérfluos, grade inteiramente cromada, padrão de estofamento mais singelo e outros detalhes menos requintados. Tudo para ficar menos caro do que o Galaxie standard. Não houve contrapartida da Ford, mas nem era de se esperar: quem comprava carro grande não queria aparecer com um carro básico (e o cachet social?), então ninguém ficará surpreso se eu disser que as versões básicas venderam bem pouco, bem pouco mesmo.

Mas quer saber? Justamente pela raridade, as versões menos caras são extremamente cobiçadas pelos entusiastas e colecionadores de hoje... C'est la vie...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Propaganda da Semana: Galaxie 500 (1972)

Volta e meia eu venho aqui pra falar do Galaxie, do Landau ou até mesmo do LTD. Também pudera, além de gostar bastante do primeiro automóvel produzido pela Ford em nossas terras, o sedã até hoje é lembrado como referência de luxo, conforto e de bom acabamento.

Ainda não tive o prazer de passear (ou seria flutuar?) a bordo de um destes maravilhosos veículos (aceito, de bom grado, convites); na infância eu cheguei a entrar num LTD 1978 que estava numa oficina mecânica para ser transformado, mais adiante, em outdoor. É que enfiaram o LTD amarelo carrera com teto de vinil preto na parede de uma danceteria (Galaxy Clube, era o nome) e, por conhecer os responsáveis pela empreitada, mais do que depressa tratei de ver o bicho antes dele ser emparedado.

Lembro que ele era automático, foi salvo de um ferro velho e não tinha mais motor nem câmbio; basicamente o interior ainda original (mas sujo e surrado), com o volante de quatro raios) ainda com a alavanca de acionamento da transmissão automática. Lembro até de ter anotado o número da plaqueta do bicho (sim, eu era bem observador mesmo na infância) mas perdi esse papel e até hoje me maldigo por não ser cuidadoso... O que ficou foi a lembrança do interior extremamente espaçoso e arejado, muito mais amplo do que o Chevette do meu avô ou Passat LSE do meu pai, características que a Ford, desde o lançamento, tratou de ressaltar, como a gente vê neste anúncio, de 1972:

O tempo passa, o tempo voa e o Galaxie ainda continua amplo! (fonte: memoriasoswaldohernandez. blogspot)
Uma dúzia de pessoas poderia viajar nos Galaxie, LTD e Landau sem maiores crises existenciais; quatro pessoas, então, sentir-se-iam plenamente confortáveis. Duas pessoas até se sentiriam meio solitárias, uma pessoa num sedanzão desses é até desperdício... Mesmo com a terrível alta dos preços do petróleo, consequência dos diversos conflitos e impasses mundiais ocorridos nas décadas de 1970 e 1980, ainda valia a pena ter um destes na garagem: um Galaxie com seis pessoas gastava menos combustível do que três ou quatro fuscas, sem prejuízo ao conforto. Ao contrário, era bem mais interessante.

Ainda não andei num Landau, como já disse a vocês, mas, posso garantir, mesmo sem ter experimentado, que uma viagem a bordo de um tranquilo sedã deve ser uma experiência altamente repousante. Pena que o LTD 1978 "emparedado", o único que até hoje tive o prazer de entrar, não teve sorte: após o encerramento (breve) da danceteria, o Ford foi para um ferro velho e, possivelmente, virou doador de peças para outros irmãos rodarem macios pelas estradas do nosso Brasil.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Propaganda da Semana: Ford Galaxie (1968)

Estamos em novembro, o ano de 2018 já está acabando e o verão já dá os seus primeiros sinais. Num país de dimensões continentais como o Brasil, não é estranho pensar que enfrentamos neve em determinados lugares e um calor semidesértico em tantos outros. Virtualmente falando, no mesmo dia um brasileiro passa frio e outro passa muito calor...

Por isso o ar-condicionado é tão importante, pois se trata de um item de conforto, saúde e até segurança (dirigir com calor é desconfortável, faz mal pra saúde e deixa você distraído, além do fato de abrir os vidros nem sempre é a medida mais segura...), hoje amplamente difundido em todos os veículos nacionais. Até mesmo o meu sonolento Fiesta Sedan 1,0 tem um condicionador de ar acoplado ao motor, coisa impensável há duas ou três décadas atrás...

E imagine então como eram as coisas há quarenta anos! Ar-condicionado era caro demais pra uma casa e bem dispendioso para um automóvel: até 1968, só o Willys Itamaraty e a Limousine Itamaraty tinham o aparelho (instalado com saídas apenas no banco traseiro). Fusca com ar refrigerado? Só nos anos 70, pagando (muito) caro por uma instalação em oficinas especializadas...

Nem mesmo o Galaxie nasceu com o interessante aparelho, falha que a Ford sanou no ano de 1968, ao equipar o seu primeiro veículo produzido em nossas terras, como a fábrica orgulhosamente informou nesta propaganda, publicada pelo usuário Michel, do Flicrk:

Até 1970, as chapas dos automóveis no Brasil só tinham os números do certificado de propriedade.
Hoje você até pode achar graça de um aparelho desses, um caixote sólido com apenas três saídas de ar, instalado na porção inferior do igualmente sólido painel de instrumentos, sem opção de soprar ar quente. Mas o condicionador gelava uma barbaridade o carro como um todo, apesar de a instalação parecer, aos olhos de 2018, uma tremenda improvisação.

Só em 1979 o condicionador passou a ser embutido no painel, mas cá pra nós: esse caixote era capaz de muitas façanhas em termos de refrigeração e até é bem charmoso!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Propaganda da Semana (Ford Galaxie 1967)

Cena bastante comum nas viagens noturnas: lá está você, feliz da vida, guiando seu carro preferido, estrada vazia, tanque cheio, carro revisado, uma ótima companhia, pneus novos e vontade de chegar; mas, lá pelas tantas, o movimento cresce e logo tem alguém atrás de você, farol baixo acionado, e o espelho retrovisor interno se torna um irritante holofote, refletindo luminosidade em seus olhos.

O ofuscamento é fenômeno comum e tremendamente perigoso. Um segundo de desatenção tem diferença crucial em uma emergência, como todos nós sabemos.

Aí alguém teve a ideia: que tal criar um espelho interno do tipo prismático, que, ao ser acionado, desvia o reflexo dos faróis, preservando a retrovisão. Também conhecido como espelho "dia e noite", é invenção das mais simples, e tremendamente funcional.

Agora deixo a pegunta: qual o primeiro carro nacional a ter este equipamento? Eis a resposta:


Além de muito confortável, ele era seguro. Um excelente carro, até hoje referência de conforto e maciez em marcha.