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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Catálogo da Semana: Chevy 500 DL (1992)

Volta e meia a gente fala aqui da Chevy 500; sem medo de ser repetitivo e cansativo, a picape merece sim as nossas atenções, porque, além de ter a desejável tração traseira, era derivada diretamente do Chevette, carro que merece a admiração e desperta a total parcialidade deste que aqui escreve... Ah, eu gosto da Chevy 500, gosto é questão pessoal e, mesmo se dela não gostasse, é um carro único e bastante curioso, infelizmente sumido das nossas ruas e que não vendeu tanto assim.

É uma pena, porque a Chevy 500, apesar de suas limitações, tinha vários predicados: era robusta, confiável, a tração traseira (além de ser divertida) era eficiente em situações de alta carga, além de a versão DL ter um acabamento muito esmerado, como nós podemos ver neste catálogo, que encontrei há algum tempo no Google e, infelizmente, não sei a fonte (se você souber, avise-me para que eu dê os créditos a quem de direito):



Em modelos anteriores, a Chevy 500 poderia receber, opcionalmente, o ar-condicionado (não embutido no painel) e a transmissão automática; porém, a Chevrolet sempre foi flexível em suas configurações e se alguém estivesse disposto a pagar por um condicionador de ar, os concessionários providenciariam sem maiores crises. Depois de 1993, com o fim do Chevette, a picape empobreceu consideravelmente, perdendo o acabamento "DL" e assim viveu até 1995, quase anônima, quando a Corsa Pick-Up a aposentou.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Utilitários Chevrolet - Linha 1986

Talvez os amigos não recordem, mas a Chevrolet, por anos, travou uma interessante batalha contra a Ford pela liderança do mercado nacional de caminhões, situação que, com a vinda da Mercedes-Benz para cá (e a consequente diselização da frota), acompanhada da Scania-Vabis (hoje sem o "Vabis" do nome), Volvo e tantas outras, mudou completamente.

A Ford jamais abandonou o mercado de caminhões; a Chevrolet, no entanto, preferiu se retirar do seguimento e escolher algo melhor da vida pra fazer, empenhando suas forças nas picapes pequenas e médias. Cada qual com suas decisões, é certo, mas os pesados da Chevrolet deixaram saudades em muita gente, inclusive neste que escreve a vocês, especialmente os modelos equipados com motores Perkins, com um ronco (talvez um urro) que ainda ecoa em minhas lembranças...

Pra recordar dos bons tempos, que um amigo nosso, o Bruno Bezerra, fez-me recordar, trago a vocês esta interessante brochura do ano de 1986, onde vemos a linha completa de utilitários vendidas pela fábrica da gravatinha, desde a Chevy 500 até o robusto modelo 22.000, cortesia do inesquecível site Caminhão Antigo Brasil:

A fábrica, com o lema "Força de Vanguarda" tentava convencer os consumidores de que os seus produtos eram mais modernos do que os da concorrência mais direta, a Mercedes-Benz.

Notem a opção furgão para a Chevy 500 e as raras picapes da série 10, que levavam menos peso do que as irmãs gêmeas (embora mais fortes) da série 20.
 
A Chevrolet disponibilizava a opção do chassi equipado com a "meia-cabina" (completa até o para-brisas), produtos destinados ao encarroçamento de ônibus e de transporte de valores, motor home e o que mais você conseguir imaginar.

Cabina dupla, sob encomenda, era possível para todos os modelos: eu vi muitas circulando, agradavam as empresas de distribuição de energia elétrica, que tinham de carregar peso e vários funcionários ao mesmo tempo.
Escolha o seu favorito e seja feliz!

A gama, apesar de variada, não era completa: caminhões pesados você achava na concorrência, apenas; mesmo assim, os Chevrolet não passavam vergonha se comparados aos similares da categoria, embora não vendessem como os da Mercedes-Benz, à época a campeã de vendas. E fico a pensar: como seria se a Chevy voltasse a produzir caminhões por aqui? Seria bem interessante.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Catálogo da Semana (Linha Chevrolet 1990)

O primeiro ano da década de 90 seria muito marcante na indústria automotiva nacional: finalmente foi levantada a proibição à importação de veículos, de modo que naquele ano de 1990 começamos a ver a mais completa variedade de novos automóveis de diversos países: desde os conhecidos Mercedes-Benz e BWM alemães até os despojados e robustos Lada russos, passando por todos os segmentos do mercado, das picapes Mitsubishi até os esportivos mais nervosos, como as Lamborghini e até mesmo as Ferrari. 

Por tal motivo, a Chevrolet, como todas as fabricantes que aqui estavam antes de 1990, não poderiam ficar paradas esperando as vendas caírem, daí por que a importância de destacar as novidades e as virtudes da linha, como a que se nota no catálogo desta semana, gentilmente disponibilizada por Sidney Machado Maciel no Flicrk.

A década de 1990 foi bem agitada para a Chevrolet: ela lançou a linha Omega (1992), a linha Vectra (1993), a linha Corsa (1994), a S10 (1995), a Silverado (1996) e diversas variações e atualizações dos modelos produzidos. Interessante pensar que nenhum dos modelos deste catálogo chegou ao ano 2000...
Interessante a arte gráfica com a gravatinha da marca, alta tecnologia de 1989.

O Chevette, de que tanto falamos (e elogiamos) neste espaço, era a versão de entrada da linha Chevrolet; no catálogo aparece a versão SL/E, topo de linha.

Até ver este catálogo eu pensei que este modelo de rodas de liga só teria aparecido com o lançamento do Chevette DL no final de 1990. Estava enganado!

O Kadett era novinho em 1990; lançado um ano antes, era um sucesso e tanto. Compartilhava a mecânica básica do Monza, mas tinha suas peculiaridades mecânicas e dinâmicas, um carro bem interessante.

Na foto grande a versão topo de linha do Kadett, a GS, esportiva de alto desempenho; abaixo, a versão SL/E, intermediária e bem confortável (a básica era a SL).

O interessante Monza Classic SE vinha mais equipado para 1990, com equipamentos de luxo e acabamento esmerado. No ano seguinte o Monza receberia nova frente e traseira, numa reestilização que deu mais seis anos de sobrevida ao excelente veículo.

Na foto, à exemplo do Kadett, na foto menor vemos o Monza SL/E (a versão SL, a mais simples da linha, nem apareceu no catálogo).

O Diplomata SE, topo de linha dos topos de linha da Chevrolet, tinha até, como opcional, a transmissão automática de quatro velocidades.

O Comodoro SL/E e o Opala SL, os modelos Opala mais simples, nem sequer apareceram no catálogo.

A Caravan Diplomata, lançada em 1986, concorria diretamente com a Quantum GLS, com a desvantagem óbvia de ter apenas duas portas.

Da mesma forma, as Caravan Comodoro SL/E e SL não apareceram no catálogo, mas eram normalmente vendidas.

Ao fundo, uma Chevy 500, de quem já falamos neste blog; a frente a picape A-20, movida pelo saudoso motor de seis cilindros, silencioso e altamente durável, mas não exatamente econômico.

No segundo plano vemos a opção da cabine dupla, que era comum à A-20, C-20 (movida a gasolina) e D-20 (com motor a diesel), bastante procurada até hoje.

Lançada em 1989, a Bonanza ainda era novidade no ano de 1990.

A Bonanza, que era, digamos assim, a versão duas portas da Veraneio, é altamente interessante, principalmente se equipada com ar-condicionado, para evitar o imenso calor que os vidros laterais inteiriços causam aos passageiros.


A Veraneio, remodelada em 1989, era ampla e confortável, como a antecessora. Foi - e ainda é - um sucesso e ótima companheira de viagem. A versão a diesel, por questões legislativas, somente foi lançada em 1991.


Naqueles tempos a Chevrolet tinha seus caminhões, que foram alvo de uma boa repaginada em 1985; o conforto interno era apreciável e o volante tinha desenho semelhante ao usados nas picapes e na Bonanza/Veraneio.


A Ipanema (inicialmente chamada de Kadett Ipanema), era a promessa para o ano de 1990: a traseira, de linhas retas, era bastante polêmica (não faltaram as comparações com a Vemaguet), mas fez sucesso.



A Chevrolet se esmerou nos anos 1990, como o catálogo já poderia anunciar; pode ser que a fábrica da gravatinha não tenha sido a melhor fabricante daquela década, mas ela foi uma concorrente de peso neste quesito!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Propaganda Chevy 500 (1984)

Semana passada nós conversamos sobre utilitários da Fiat, aí não poderia deixar de lembrar da Chevy 500, lançada no ano de 1984 (exatamente quando foi lançado o catálogo alvo desta postagem, disponibilizado pelo usuário Sidney68 no Flickr), tentativa da Chevrolet de combater o sucesso da Fiat, a Fiorino.

Como já comentamos em postagem anterior, a Chevy 500 tinha a capacidade de exatos 500kg de carga, suficiente para transportar volumes e objetos como uma motocicleta (se bem que com certo aperto), um jet-ski e demais cargas dos centros urbanos. Na época, é bom lembrar, os utilitários estavam na moda, e não raro a Chevy, apesar da vocação para o trabalho, era bem aproveitada pelo público jovem, principalmente na versão topo de linha, a SL, como a que ilustra a foto do catálogo:

A escolha do fundo da fotografia já nos dá a pista da preferência de muita gente: um utilitário confortável para rodar na cidade, com bom acabamento.

Note a tração traseira, principal diferença das concorrentes.
É certo que a Chevy 500 não carregava tanto peso quanto a Pampa, não tinha a economia da Fiorino e não era tão popular e esportiva como a Saveiro, mas a opção da Chevrolet se destacava pela robustez mecânica (mercê do confiável motor e a tração traseira), além da óbvio quociente alto de diversão por usar eixo cardã e ter uma traseira relativamente leve (quando descarregada, é claro). Alguns até tiveram a ideia de instalar um motor Opala 151-S para deixar as coisas ainda mais interessantes (o coração 250-S, de seis cilindros, tornava a mansa picape numa besta apocalíptica).

Substituída pela Picape Corsa na metade da década de 1990, a picape Chevette não vendeu tanto quanto as demais concorrentes, mas até hoje, se você olhar as ruas com atenção, você verá algumas rodando firme e forte, mesmo com o passar dos anos... E no campo não tem coisa melhor: nenhuma picape pequena sobe ladeiras enlameadas como a Chevy 500!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

História do Chevette (1985)

Como sempre ocorre, a nova linha de um automóvel é sempre lançada no ano anterior. Paradoxo? Não, acredite: a linha Chevette 1985 foi lançada em outubro de 1984. E assim como em outros anos, poucas mudanças foram feitas, tanto que o comercial do modelo 1985 não faz menção à nenhuma novidade em especial, senão vejamos:



Mesmo assim, apesar de pouca inovação para aquele ano, o Chevette já era um carro maduro, como se diz no meio automotivo. Tinha seus defeitos crônicos (como, por exemplo, a falta de espaço interno), mas era um carro com um público cativo. Daí a razão de a Chevrolet destacar tanto o custo-benefício da linha, assegurado pelo preço razoável e pelos atributos do carro:
Apesar de não ser um carro moderno, o Chevette ainda era atraente pelo seu custo-benefício (foto: GMC, via Propagandasdecarrros.com)
De todo modo, a linha 1985 trouxe, além das novas cores (tradição de todo ano, como podem notar), a adoção, como equipamento de série, da ignição eletrônica para todos os motores a álcool e a gasolina. Em verdade, a ignição eletrônica já era item de série desde 1982, como os leitores mais assíduos podem perceber, mas os motores 1,6 movidos pelo combustível vegetal, lançados em 1983, ainda vinham de série com o já ultrapassado platinado. A economia agradece.

Nenhuma alteração significativa no desenho foi providenciada para linha 1985 (foto: GMC, via Propagandasdecarrros.com)
Além dessa novidade no sistema de ignição, que não é exatamente uma retumbante novidade, a fábrica alterou os tecidos dos bancos, inclusive com um padrão de costura levemente diferente. E foi só isso: Chevy 500, recém-lançada, e a Marajó não sofreram alterações de maior monta.

Mas, no começo do ano de 1985, lá em março/abril, a Chevrolet, talvez por pensar que a linha 1985 foi fraca em novidades, trouxe um equipamento muito interessante: a transmissão automática. Assim, a fábrica conseguiu a rara façanha de ter a opção do câmbio automático em todos os modelos de sua linha (antes, só a Chrysler, em 1979, conseguira o feito, em que pese ter apenas dois modelos básicos em produção):

A fábrica, muito orgulhosa, apresenta os seus automáticos (a manopla do câmbio que aparece à esquerda é a do Monza). Mas era discreta na identificação: apenas o logotipo "automatic" na traseira informa aos passantes a novidade (foto: GMC, via Propagandasdecarrros.com)
Apesar do forte preconceito em relação aos câmbios automáticos (algo que, infelizmente, ainda perdura), a fábrica trouxe esta novidade para sua linha - e coube ao Chevette uma caixa automática, fabricada pela Isuzu, com três velocidades. Efetivamente não era muito moderna (apenas para lembrar, o Dodge Polara, lá em 1979, trouxe uma transmissão com quatro velocidades), mas era muito robusta e confiável. E o seu manuseio era fácil, só apertar o botão do lado esquerdo da manopla e levar a alavanca até a posição desejada. Só não dava para empurrar o carro para pegar no tranco, algo impossível em todos os  automáticos...

Claro, não existe nada perfeito - e a transmissão automática, ainda que moderna, sempre vai roubar desempenho. Mas, pensando no acréscimo de conforto (principalmente quando o comprador trazia o ar-condicionado junto), a lerdeza até compensa. E não é outra a opinião que lemos na avaliação do Paulo Celso Facin publicada na revista Motor-3 (edição nº. 67, de Janeiro de 1986), como se pode ver abaixo:




Revista Motor-3, edição Janeiro de 1986, digitalizada do nosso acervo.
A GM, boa mãe que é, logo tratou de disponibilizar o câmbio automático para todos os seus filhos. Assim, desde a Marajó até a Chevy 500, passando pelo Chevette Hatch (este já um tanto esquecido), o conforto das trocas de marcha automáticas foi garantido aos modelos da linha Chevette.

Com esta nova opção, a Chevrolet socializou a transmissão automática para os carros mais baratos daquela época. Vale dizer que alguns concorrentes, como o Gol e o Uno, nunca tiveram esta opção. Mesmo assim, apesar do conforto, a opção do câmbio automático nunca foi um grande sucesso. Hoje, ver um Chevette automático é questão de muita sorte - e nem se fale nas Marajós e Chevy 500 automáticas...

Mesmo assim, apesar de um ano pouco generoso em mudanças, à parte a transmissão automática, as vendas não foram ruins: 61.526 unidades foram vendidas. Sabem como é, nem sempre o ano em que o modelo recebe maiores atualizações é o que mais vende...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

História do Chevette (1984)

Os amáveis leitores já devem ter reparado no fato de que um ano muito movimentado na linha Chevette geralmente é acompanhado por outro mais calmo. Assim foi em 1974 e em 1982, por exemplo. E a lógica determinaria que o ano de 1984 fosse parado, não é mesmo?

Determinaria. 1984 foi um ano até movimentado, com uma agradável novidade no setor de picapes pequenas, mas falaremos disso mais adiante. Vamos fazer um pequeno suspense, quase um charminho, para primeiramente falar das modificações que o Chevette cupê, sedan e a Marajó sofreram. 

Tudo bem, foram mudanças discretas, algumas importantes: além das novas cores, a GM trouxe, finalmente, os cintos de segurança retráteis de três pontas para os bancos dianteiros. Infelizmente, a fábrica o disponibilizava como opcional, mas já é um avanço e tanto em relação ao defasado modelo abdominal (ou pélvico, se preferir), por proteger também a região torácica no momento do impacto.

Além de apresentar (com certo atraso, mas tudo bem) a Chevrolet trouxe à linha uma nova versão, a "L". Trata-se de uma versão intermediaria entre a básica (sem nenhum enfeite e de acabamento mais modesto), e a SL (topo de linha e que merecia todos os caprichos da fábrica), como podemos perceber do anúncio abaixo:

Uma nova versão de acabamento para linha, com interessante relação de custo-benefício
(foto: GMC, via propagandadecarros.com)
Como bem vemos acima, a versão luxo ostentava os mesmos conjuntos de friso da versão SL (a novidade externa era a letrinha "L" no distintivo do friso), embora com um acabamento interno um pouco mais simplificado. Aos consumidores era uma interessante forma de fugir do preço da versão mais luxuosa sem perder o social cachet com a versão mais pé-de-boi.

E para comemorar os 25 anos da fábrica de São José dos Campos (de onde nascia o simpático Chevette) a Chevrolet tirou da cartola a série especial "L Silver Line". Para fazê-la, a GMC escolheu a carroçaria mais popular de todas, o Chevette cupê, e aproveitou incrementou a versão "L" com alguns interessantes detalhes: vidros verdes, para-choques com a lâmina protetora de borracha, motor 1,6 movido a álcool (gasolina não estava disponível nesta série especial), além da forração dos bancos e das portas feita em tecido cinza claro, carpete do assoalho em cinza escuro (quase um preto, para ser sincero) e para-choques na cor do carro, este que, por sinal, poderia ser pintado em qualquer cor, desde que fosse Prata Andino.

Opcionais? Geralmente séries especiais não os têm, mas, no caso do Chevette Prateado, você poderia pagar a mais para ter a embreagem eletromagnética do ventilador do radiador, o câmbio com 5 velocidades, o desembaçador com ar-quente e o espelho retrovisor do lado direito. Convenhamos, o Silver Line poderia ter todos os itens, não acha?

Alguém já viu um destes? Nunca vi... (foto: GMC, via propagandadecarros.com)
O Chevette L Silver Line era tão silver que até mesmo o logotipo da Chevrolet, a simpática gravatinha, foi pintado em prata. De todo modo, era uma versão bem interessante - e extremamente rara. Não sei se algum sobreviveu ao longo destes quase trinta anos (se souberem, deixem um comentário!).

Aliás, por falar em silver e em série especial, vocês não notaram alguma coisa familiar nesta simpática série especial? E tem coisa familiar mesmo: em 1982 a Chevrolet lançou a série especial Silver Star, em verdade uma versão de acabamento aplicada ao Opala Cupê e a Caravan. A versão special também contava com pintura especial (prata-esverdeado-metálico) e o interior cinza, bem como trouxe itens presentes nas versões Comodoro, à época intermediárias (maior capricho e acessórios tinha a versão Diplomata, disponível apenas para o Opala), com um custo-benefício bem interessante para quem compraria a versão standard.

Os Silver Star chegaram no mesmo ano em que o Chevette Ouro Preto foi lançado (foto: GMC, via propagandadecarros.com)
Mas a maior novidade não era a versão silver do Chevette. Um novo membro se integrou à família no ano de 1984. Melhor dizendo, uma integrante: a Chevy 500, a picape Chevette. Abaixo, ao se ver o comercial de lançamento, temos uma prévia de como era esta interessante picape:



A Chevrolet foi a última das grandes fábricas a lançar a sua picape pequena, e não foi por falta de tradição: assim como a Ford, a Chevrolet se firmou no Brasil com uma linha de utilitários, desde as picapes da Série 10 (A-10/C-10 e D-10) até os caminhões. Porém, apesar de toda a tradição, foi a Fiat, em 1979, quem lançou a Picape City, a simpática versão picape do Fiat 147. Em 1982 a Ford lançou a Pampa, logo acompanhada da Saveiro, versão utilitária da linha Gol.

Mas, se a Chevrolet foi a última, certamente quem esperou por uma picape com tração traseira não se decepcionou: valendo-se da mesma configuração mecânica da linha Chevette, a fábrica, com base na plataforma da Marajó, lançou a Chevy 500. O nome é fácil de entender: Chevy é um diminutivo de Chevrolet, e 500 remete aos 500kg da carga máxima suportada pela valente picapinha.
 
Configuração única no mercado nacional: a Chevy 500 foi a única picape de pequeno porte com motor dianteiro e tração traseira. Ficava mais travessa ainda quando alguém montava o 151-S do Opala; se quisesse invocar um monstro, bastaria instalar, com alguma dificuldade, o 250-S. (foto:Jorge Meditsch/Quatro Rodas).
Se o eixo cardan, responsável por levar a força do motor dianteiro às rodas traseiras, era interessante para o comportamento dinâmico (em subidas enlameadas não tinha coisa melhor), para o espaço da caçamba não era o ideal. Mas, comparada às rivais, não fazia tão feio: a caçamba da Chevy 500 é três centímetros mais alta que a da Pampa (43 cm ante os 40cm), quatro centímetros mais larga que a da City (122cm contra 118cm) e dois centímetros mais comprida que a caçamba da picape da Fiat (146 cm contra 144cm). Se não era a maior, por certo não ficava dentre as menores. 

Por falar em caçamba, cujo assoalho era protegido por ripas de madeira, o desenho dela se integra perfeitamente com a linha dos vidros do Chevette/Marajó. A trampa traseira, que se abre para baixo, é acionada por uma maçaneta central e é ladeada pelas lanternas, iguais às da Marajó. O tanque de gasolina foi posicionado entre-eixos, tal como na Marajó, com a tampa do tanque posicionada próximo à lanterna esquerda. Soluções familiares garantiram o sucesso o bom custo de produção.

O estepe fica guardado atrás do banco direito, mas sem o ressalto existente na caçamba da Saveiro (foto:Jorge Meditsch/Quatro Rodas).
Quanto ao interior, a Chevy tinha o mesmo interior da linha Chevette, exceção feita aos encostos de cabeça, os quais, naqueles tempos, não eram obrigatórios - e por isso não equipavam as primeiras unidades. Esta ausência seria corrigida tempos depois, felizmente.

O interior da Chevy 500 era o mesmo da linha, inclusive nos detalhes de arremates do acabamento (foto:Jorge Meditsch/Quatro Rodas).
A Chevy 500 foi lançada em duas versões: a básica, com franca vocação para o trabalho duro, e a SL, topo de linha, voltada para quem curtia um utilitário mais luxuoso. O motor 1,6, gasolina ou álcool, era de série em todas as versões, felizmente.

Para quem é fã de carteirinha da Chevy 500, a Chevrolet trouxe a letra do jingle de lançamento para o empolgado consumidor cantar junto (foto: GMC, via propagandadecarros.com).
A novidade era bem interessante, como podemos ler da avaliação do saudoso José Luiz Vieira, complementada pela opinião estilística do também saudoso Celso Lamas, as quais você encontra na edição n. 42 (dezembro de 1983) da incrível revista Motor-3:
 

 
 
 
 
Finalizando o último post da história do Chevette deste ano, é bom lembrar que a linha Chevette vendeu 57.876 unidades em 1984. O número de vendas não foi muito expressivo, mas, em 1985, a Chevrolet tentou recuperar o mercado. Ah, mas isso é outra história...
 
Postagem atualizada em 07/06/2020, com novas imagens e revisão de texto