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domingo, 7 de outubro de 2018

Chevette Jeans 1979 (perguntas e respostas)

Um dos temas frequentes nos comentários das modestas postagens deste simples espaço automotivo é o Chevette Jeans; muitos amigos e muitas amigas vêm ao blog para perguntar maiores e melhores detalhes sobre esta interessante versão da Chevrolet, uma das mais interessantes e raras do Chevette.
 

É um dos carros mais interessantes e inusitados dos anos 70, com certeza (foto: serieespecialbr.blogspot.com)
Aproveitei, então, para dedicar um tempo para pesquisar um pouco mais sobre este interessante automóvel, sempre com o compromisso de buscar, em fontes fiáveis, os detalhes mais completos e precisos sobre o simpático Chevette brim.  Abaixo, compartilho o resultado de minhas andanças.
  
1. O Chevette Jeans era uma versão ou série especial?

Penso que o Chevette Jeans não era apenas uma série especial, mas uma versão disponível a venda entre janeiro de 1979 (ou até mesmo entre dezembro de 1978) até dezembro de 1979. Por curiosidade, o Chevette Brim custava em abril de 1979 Cr$ 107.377,00.
 
2. A versão Jeans tinha um código de chassi que a diferenciasse?
 
Infelizmente não. Como já vimos em outra postagem, a Chevrolet não criou um código específico para diferenciar a versão Jeans das demais. Acredito, porém (e isso é um palpite meu), que os Jeans tinham o código da versão básica [5C] da qual ele era derivado. Então se o pretenso Chevette Jeans tem o chassi com o começo 5C***, pode ser bem plausível que seja um brim original. E não existiu Chevette Jeans quatro-portas, até onde pude checar.
 
3. Quantos Chevette Jeans foram fabricados?
Não sei ao certo, infelizmente. E eu procurei muito este dado!
Perguntei para a Chevrolet e para a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e ambas me disseram, por e-mail, que os números de produção do Chevette não eram detalhados por versão (naquela época só contavam o total geral). Infelizmente, mas muito infelizmente, não temos, até agora, uma patamar preciso.

Mesmo assim, arrisco a estimar que 10% do total de Chevette produzidos naquele ano de 1979 receberam o acabamento em jeans azul. Ou seja, uns 9.000 Chevette Jeans dentro do universo de 90.084 Chevette fabricados naquele ano. É um palpite, uma estimativa que pode ser superada ou confirmada se um dia conseguirmos ter dados mais consistentes.
 
4. Quais eram as cores disponíveis?
A revista Quatro Rodas de abril de 1979 (ed. 225), em teste assinado por Charles Marzanasco Filho, informou que Jeans era vendido apenas nas cores "branco-Everest e prata-Diamantina-metálica"; a Auto Esporte de abril de 1979 (ed. 174), em avaliação feita pelo Paulo Celso Facin, menciona que o interessante sedan poderia ser comprado nas cores "branco Everest, azul Iguaçu e prata Diamantina metálica".

Pesquisando um pouco, inclusive consultando o Le0, nosso amigo aqui do Blog e um grande entendido de Chevette, cheguei a conclusão de que a Auto Esporte tem razão: o Chevette Jeans poderia ser comprado em três cores (azul, branco e prata metálico) e, dentre todas, a azul é a menos comum.

5. Quais eram os equipamentos do Chevette Jeans? O que era padrão e o que era opcional?


A Auto Esporte de abril de 1979 nos deu uma lista bem completa do que você vinha de fábrica no Chevette Jeans e o que poderia ser comprado mediante um custo extra.

De série, a versão oferecia bancos dianteiros reclináveis de encosto alto; volante de direção, painel de instrumentos e descansa-braço na cor preta; tapetes de "nylon"; tampa do porta luvas com chave; freio de estacionamento com cobertura; molduras cromadas no para-brisa e na vigia traseira; e para-choques pretos dotados de protetores. Assim equipado (ou mal equipado, se preferir), o carro custava, naquele mês, Cr$ 107.377,00.

Opcionalmente você poderia ter: carburador de duplo corpo com duplo estágio (Cr$ 643,40), pneus radiais 175/70 SR 13 (Cr$ 3.092,60), vidros "ray-ban" (Cr$ 1.874,20), janelas traseiras basculantes (Cr$ 435,40), temporizador para os limpadores de para-brisa (Cr$ 899,60), servofreio (Cr$ 1.632,90), filtro de ar "para regiões poeirentas" (Cr$ 379,20), ar-quente (Cr$ 1.295,90), desembaçador térmico do vidro traseiro (Cr$ 633,70), acendedor de cigarros e rodas esportivas. Completo, o Chevette Jeans custava, em abril de 1979, Cr$ 118.263,90.
 
6. O que diferenciava a versão Jeans das demais? (além do acabamento interno, claro)
Não se esqueça que o Chevette Jeans nada mais era do que a versão básica com vários equipamentos diferentes: bancos com encosto alto reclináveis milimetricamente; rodas "esportivas", de desenho diferenciado" (opcionais), porta-luvas com tampa e chave, tampa do tanque de gasolina com chave, retrovisor externo (só um, do lado esquerdo) cromado, vidros verdes (opcionais), na época chamados de vidros raibã. E só. Nada de console, instrumentos esportivos (como os do Chevette GP) ou maiores luxos das versões mais caras.


Esse é o logotipo original da série Jeans, de um exemplar em restauração: notem que os dizeres são escritos em letra azul com um fundo que imita a textura do tecido brim; é um detalhe que os que fabricam o adesivo atualmente podem se atentar. (foto: veteransm.com.br)
7. Será que os revestimentos podem ser refeitos?
Acredito que sim, pois tudo o que foi feito em 1979, com a tecnologia de então, pode ser repetido em 2018 sem maiores dificuldades (senão o custo).

Se você se empolgar com a ideia, sugiro que procure um tapeceiro de confiança e procure o brim em cor parecida (o clássico azul índigo), mas tem de ser brim feito de algodão (não os mais modernos com elastano e outros materiais sintéticos); as costuras podem ser reproduzidas com facilidade (basta usar a linha dourada nos arremates), os "bolsos" nas portas e bancos podem ser imitados com tranquilidade. Nada impossível de fazer.
8. A versão tinha alguma modificação na mecânica.
 
O Jeans não tinha nada de diferente dos demais Chevette, até mesmo o carburador de corpo duplo era opcional.
 
9. Como identificar um Chevette Jeans autêntico?

Aí você tem de ser detalhista ou ter sorte, pra resumir.

Sorte se, por exemplo, o seu carro tiver a nota fiscal da época (ou se você eventualmente conseguir tais dados com a Chevrolet, por exemplo, ao fornecer a ela o número de chassis). Porém, se não for o caso, verifique atentamente todos os vestígios de cores (não eram exclusivas da linha, mas isso já ajuda a separar o Chevette básico de um pretenso Jeans), de tecidos (pode ter sobrado uma rebarba de brim nos estofamentos), no documento (a versão "Chevette Jeans" constava no documento dos veículos) e na memória de antigos donos.
10. O Chevette Jeans foi testado na época?

Sim, pelas revistas Quatro Rodas e Auto Esporte, cujos testes você aqui, na íntegra, inclusive a avaliação da AE, cuja íntegra é inédita até agora:
 





 
O teste da QR foi gentilmente disponibilizado no blog 4rturbo.
 





11. Será que algum sobreviveu?

Sim, alguns sobreviveram, inclusive devem ter vários por aí, escondidos e descaracterizados. Tanto que se você ver um desses  a venda, considere-se sortudo (principalmente se puder comprar, claro!).

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Procura-se um Chevette Jeans

Amigas e amigos,


Um leitor nosso, o Eliomar, perguntou-me se eu sabia (ou eventualmente tinha) de algum Chevette Jeans para vender. É que o nosso amigo, tempos atrás, teve a oportunidade de guiar o carro que pertencia ao irmão dele, divertindo-se a beça com o sedã de tração traseira e motor 1,4l, e agora ele quer ter a oportunidade de se divertir novamente com um legítimo exemplar desta série.

Esta é a propagada de lançamento da versão, de 1979. Notem que até mesmo o revestimento das portas e das laterais era feito de brim (reprodução GMB, via propagandasdecarros.com.br)
Infelizmente, não tenho um Chevette Jeans, tampouco sei de algum pra vender, por isso peço a ajuda dos amigos e das amigas para ajudar o Eliomar: alguém sabe (ou tem) um Chevette Jeans 1979 para vender? Se souber, deixe um comentário aqui! O nosso amigo agradece a sua ajuda!

Afinal de contas, quem não tem um carro que deixou saudades e queria reencontrar? Eu mesmo queria muito ter de volta o Chevette DL 1992 cinza austin do meu avô...

domingo, 8 de julho de 2012

História do Chevette (1979)

1979- Mais portas, mais versões.

1979 começou, mas a versão GP terminou... A versão esportiva do Chevette não aguentou a virada do ano. O fim foi melancólico, sem despedidas: simplesmente não apareceu nos catálogos e nem nas tabelas de preço.
O Chevette GP durou três temporadas (1976-1977-1978), mas não emplacou em nenhuma delas. Não, não tenho nada contra esta versão. Apenas penso que o Chevette GP poderia ter sido mais bem aproveitado. Aliás, quem não se lembra do Corsa GSi, nos anos 90? Ou o Uno Turbo, um legítimo pocket rocket, lançado em 1994?
Os pocket rocket (foguetes de bolso, numa tradução livre) são aqueles carros pequenos de excelente desempenho, com uma mecânica feita visando a performance, além do esmerado acabamento esportivo. O Chevette GP poderia ser o primeiro destes no Brasil, mas, por questões mercadológicas, não o foi. Tempos depois surgiu outra versão do Chevette com pretensões esportivas. Mas isto é prosa pra outra oportunidade...

Se uns vão, outros vêm: a Chevrolet trouxe duas novidades para o último ano da década de setenta: a versão quatro portas e a Jeans. Aquela versão era uma novidade, a primeira variação da carroçaria básica lançada em 1973. As portas mediam 94 cm (frente) e 92 (traseira), ante os 108 cm da porta da versão cupê:
 
Esta foi a primeira variação da carroçaria do Chevette (Foto: Heitor Hui/QR)
A adição das portas facilitava o acesso ao interior do veículo, embora ele continuasse apertado, pois a distância entre-eixos não foi alterada. (Aliás, o único caso de entre-eixos maior foi o Maverick Sedan, que tinha a distância entre as rodas maior do que na  versão cupê). Talvez por isso a espessura dos bancos dianteiros diminuiu, reservando dois preciosos centímetros extras aos passageiros do banco traseiro.

As portas foram pintadas por dentro pra dar  reforçar o fato de que o interior era monocromático (Foto: Heitor Hui/QR).
Eram disponíveis duas versões de acabamento: a básica e a SL, com os itens idênticos aos das outras versões. Uma ausência muito sentida era que, em nenhuma versão, a “trava de crianças”, que impede a abertura das portas traseiras por dentro quando acionada, era disponível.

Apesar de ser uma boa novidade, e de seu belo desing, a versão com duas portas a mais nunca foi sucesso de vendas por aqui. No Brasil, até os anos 80, imperava a cultura das duas portas. Culpa do Volkswagen Sedan? Não sei dizer com a necessária certeza, mas o brasileiro não comprava carro quatro portas como compra hoje. 

Na época, a versão quatro portas do Chevette foi encarada como uma tentativa de oferecer um produto novo no mercado, visto que o Fiat 147, o Corcel II, o Polara e o Volks Sedan não tinham versão quatro portas. O único concorrente deste filão de mercado era o Brasília quatro-portas, também lançado em 1979.
Porém, no exterior, a versão foi bem aceita. Nosso Chevette era exportado para diversos países; sabem como é: santo de casa não faz milagre...
A outra novidade  para '79 foi a festejada versão Jeans. O nome não era em vão: o revestimento interno foi feito totalmente em brim, tal como as calças Lee. Nos bancos e nas portas foram feitos bolsos (falsos) como numa calça jeans:

Um carro alegre, despojado, para o público jovem: Chevette Jeans (anúncio: reumatismo car club .com)
A versão Jeans nasceu para agradar o público que desejava um carro simples, despojado de pegada esportiva, mas de contido consumo - e, se possível, pagando pouco pelo carro novo. Tivemos na história de outras marcas várias versões que trilharam o caminho do "esportivo-despojado", como o Dodge SE (1972), Dodge 1800 1800 SE (1974), Corcel II Hobby (1980) e o Passat Surf (1979). Eram versões mais simples, sem cromados, com acabamento interno mais simplificado, na medida para agradar o público jovem.
Foto: Cláudio Larangeira/QR de Abril de 1979.
O Chevette Jeans poderia ser encomendada em duas cores: branco everest e prata diamantina metálica. O painel e os revestimentos plásticos eram pretos, combinando com o revestimento. Externamente, o único detalhe que diferenciava esta versão era o adesivo “Chevette Jeans” aplicado nos para-lamas dianteiros. A versão, disponível apenas em 1979, é bastante difícil de achar ultimamente, principalmente com os revestimentos internos em bom estado.


Alguns detalhes do carro (fotos: Opaleiros do Paraná.com).
Mas que ninguém se engane: em 1977 a Gurgel já havia lançado o Xavante Blue Jeans, com capota e revestimentos feitos em brim azul. O Chevette Jeans pode ter sido o primeiro Chevrolet nacional a receber o acabamento em jeans, embora a primazia no mercado verde-e-amarelo seja do simpático Xavante.

O primeiro veículo nacional a usar jeans: Gurgel Xavante Blue Jeans (fotos: Heitor Hui/ QR de 04/77).
Além dos acontecimentos descritos acima, a linha 1979 trouxe um opcional interessante: a dupla carburação. O carburador com corpo duplo era oferecido a todos os modelos, e tinha a vantagem de aumentar a potência do motor 1.4 em 1cv (passou para 69cv) e 0,3 kgfm a mais no torque (10,1 kgfm ao todo).
Anúncio: reumatismo car club .com.
Outra novidade foi a possibilidade de uma nova cor de acabamento para versão SL, o interior monocromático vermelho. Vale lembrar que desde 1978 a linha Opala tinha esta possibilidade de acabamento interno, que não era tão monocromática assim, pois alguns botões e comandos eram pretos, além da moldura plástica imitando madeira no quadro de instrumentos, hábito  que as fábricas tinham naquela época.

Foto: Heitor Hui/Quatro-Rodas.
Em 1979 foram vendidas 90.084 unidades, um dos números mais expressivos em vendas de toda a carreira do Chevette. E os preços naquele ano eram os seguintes:

 
Abaixo, segue o teste da Quatro Rodas de abril de 1979, com o lançamento do Chevette Jeans, uns dos carros mais comentados deste blog:




 
Postagem atualizada em 27/06/2018.