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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Catálogo da semana: Kadett Turim (1990)

Num domingo desses, não faz tanto tempo, voltava para casa pela BR-101 depois de uma rápida viagem para o sul; a noite reinava, céu claro sem ameaça de chuva, poucos carros na pista (apesar de alguns com faróis desregulados e o par de milhas/neblina ligados sem necessidade, o que pessoalmente me irrita muito, tenho ganas de martelar esses faróis usados incorretamente, em noite clara, pra ofuscar os pobres coitados que vão à frente) e o vento morno deslizando pela lataria do Uno. 

Depois de uma curva começou a surgir um par de luzes vermelhas, que cresciam aos poucos enquanto mantinha a velocidade constante (é, eu tenho hábito de andar constante) até o ponto em que poderia identificar. Pensei em uma dúzia de hipóteses até acertar que era um Kadett. Sim, um Kadett, estão ficando raros e ainda mais em uso numa estrada, que bom ver um veículo interessante em uso, contando histórias e servindo o seu propósito original. 

Mais perto, mas não tanto (sim, distância de segurança é algo que respeito), percebi que era um Kadett de chapas pretas e pintura prata. Era um Kadett Turim, estava inteiro e com motorista andando maciamente a não mais do que 70 por hora. Demorei-me um pouco enquanto contemplava o carro, liguei o pisca esquerdo, fiz uma ultrapassagem tranquila (e a buzinada que dei foi retribuída pelo motorista) e acelerei novamente, enquanto o par de faróis ficou cada vez mais distante até sumir em uma dessas curvas da estrada.

O Kadett Turim é um desses carros que tem uma história interessante pra contar. Nascido em 1990, sob os auspícios da Copa do Mundo de 1990 (sediada na Itália), o Kadett foi montado na base do modelo SL com alguns upgrades interessantes do GS (painel, aerofólio, bancos Recaro de padrão exclusivo de tecido), mas sem muito requinte (nem sequer contava com limpador e lavador traseiro, nem mesmo opcionalmente). Eram tempos de congelamento de saldos de poupança e crise financeira geral, a Chevrolet teve a ideia de criar uma série especial com o que tinha na prateleira, sem gastar tanto, sem ser algo displicente, na linha do Gol Copa, sucesso de 1982 que mereceu mais de um replay.

Mas não houve economia na produção de catálogos, como o que a Anfavea gentilmente disponibilizou em seu site tempos atrás, cuja íntegra temos o prazer de mostrar:






Não sei exatamente quantos foram vendidos (alguns foram sorteados pela Rede Globo, numa promoção do Faustão, há vídeos disso na internet), mas era um carro interessante, com pacote de estilo bem feito e com preço adequado àqueles tempos tão duros. Pode até ser que o Brasil não foi tão bem assim naquele torneio (quatro anos depois, ah, foi o Tetra!); no entanto, a GMB fez um gol de placa com esse Kadett.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Catálogo da Semana: Kadett GSi Cabriolet (for export)

Criei-me em um bairro modesto da minha cidade natal, então, na infância, via muito os modelos mais antigos e simples: Corcel, Fusca, Brasília, Variant, Gol, Chevette e outros, muitos outros. Às vezes, bem às vezes, via um Opala Diplomata, um Santana/Quantum GLS, um Monza Classic ou mesmo uma Yamaha RD 350 (sem falar no vizinho que tinha uma lindíssima Yamaha 600XT Tènèrè azul, de segunda mão). Quando em vez via uma BMW da série 3, mas raro mesmo era ver um Kadett GSi conversível.
 
Também pudera! O carro custava uma fortuna, pois o seu processo de fabricação era dos mais interessantes: o assoalho e a frente eram feitos em São Paulo, depois o começo de Kadett viajava até a Itália, onde, aos cuidados do Estúdio Bertone, tinha a montagem finalizada, inclusive os vidros eram de lá. Terminado o serviço, o Kadett, agora mais inteiro voltava a São Paulo para receber a mecânica, os testes finais de acabamento e só aí estaria prontinho para ser recebido com muita festa em alguma das concessionárias Chevrolet do Brasil.
 
Mas o passeio na Europa fazia muito bem ao Kadett: eu via poucos na rua, mas chamava atenção adoidado! Lembro de um branco garboso, com filme espelhado nos vidros (ah, a terrível moda daquela época), motorista sorridente enquanto driblava as ruas de paralelepípedo e lajotas do meu bairro. Um disco voador não chamaria mais a minha atenção naquela tarde de verão...
 
O fato é que o bicho, produzido entre 1991 (já como modelo 1992) até 1994 (os últimos como modelo 1995), fez muito sucesso e divertiu muita gente! Tanto que a fabricante resolveu se lançar à importação do Kadett Conversível, denominando-o de Kadett GSi Cabrio (sim, ele é um cabriolet e não um conversível, notem bem), como nós podemos ver deste caprichado folheto, encontrado em uma busca recente do Google:
 
O visual era idêntico ao nacional, fazia muito sucesso e era moderníssimo

Caso o proprietário das imagens apareça aqui, manifeste-se para que eu confira os devidos créditos
O tempo voou desde a primeira vez que vi um destes, e os GSi sem capota tornaram-se ainda mais escassos. Pena, porque eu adoraria ter um destes para andar rápido em um dia de verão, justamente como fazia o dono do primeiro Kadett cabriolet que lembro de ter visto, lá nos idos de 1994/1995...

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Catálogo da Semana (Linha Chevrolet 1990)

O primeiro ano da década de 90 seria muito marcante na indústria automotiva nacional: finalmente foi levantada a proibição à importação de veículos, de modo que naquele ano de 1990 começamos a ver a mais completa variedade de novos automóveis de diversos países: desde os conhecidos Mercedes-Benz e BWM alemães até os despojados e robustos Lada russos, passando por todos os segmentos do mercado, das picapes Mitsubishi até os esportivos mais nervosos, como as Lamborghini e até mesmo as Ferrari. 

Por tal motivo, a Chevrolet, como todas as fabricantes que aqui estavam antes de 1990, não poderiam ficar paradas esperando as vendas caírem, daí por que a importância de destacar as novidades e as virtudes da linha, como a que se nota no catálogo desta semana, gentilmente disponibilizada por Sidney Machado Maciel no Flicrk.

A década de 1990 foi bem agitada para a Chevrolet: ela lançou a linha Omega (1992), a linha Vectra (1993), a linha Corsa (1994), a S10 (1995), a Silverado (1996) e diversas variações e atualizações dos modelos produzidos. Interessante pensar que nenhum dos modelos deste catálogo chegou ao ano 2000...
Interessante a arte gráfica com a gravatinha da marca, alta tecnologia de 1989.

O Chevette, de que tanto falamos (e elogiamos) neste espaço, era a versão de entrada da linha Chevrolet; no catálogo aparece a versão SL/E, topo de linha.

Até ver este catálogo eu pensei que este modelo de rodas de liga só teria aparecido com o lançamento do Chevette DL no final de 1990. Estava enganado!

O Kadett era novinho em 1990; lançado um ano antes, era um sucesso e tanto. Compartilhava a mecânica básica do Monza, mas tinha suas peculiaridades mecânicas e dinâmicas, um carro bem interessante.

Na foto grande a versão topo de linha do Kadett, a GS, esportiva de alto desempenho; abaixo, a versão SL/E, intermediária e bem confortável (a básica era a SL).

O interessante Monza Classic SE vinha mais equipado para 1990, com equipamentos de luxo e acabamento esmerado. No ano seguinte o Monza receberia nova frente e traseira, numa reestilização que deu mais seis anos de sobrevida ao excelente veículo.

Na foto, à exemplo do Kadett, na foto menor vemos o Monza SL/E (a versão SL, a mais simples da linha, nem apareceu no catálogo).

O Diplomata SE, topo de linha dos topos de linha da Chevrolet, tinha até, como opcional, a transmissão automática de quatro velocidades.

O Comodoro SL/E e o Opala SL, os modelos Opala mais simples, nem sequer apareceram no catálogo.

A Caravan Diplomata, lançada em 1986, concorria diretamente com a Quantum GLS, com a desvantagem óbvia de ter apenas duas portas.

Da mesma forma, as Caravan Comodoro SL/E e SL não apareceram no catálogo, mas eram normalmente vendidas.

Ao fundo, uma Chevy 500, de quem já falamos neste blog; a frente a picape A-20, movida pelo saudoso motor de seis cilindros, silencioso e altamente durável, mas não exatamente econômico.

No segundo plano vemos a opção da cabine dupla, que era comum à A-20, C-20 (movida a gasolina) e D-20 (com motor a diesel), bastante procurada até hoje.

Lançada em 1989, a Bonanza ainda era novidade no ano de 1990.

A Bonanza, que era, digamos assim, a versão duas portas da Veraneio, é altamente interessante, principalmente se equipada com ar-condicionado, para evitar o imenso calor que os vidros laterais inteiriços causam aos passageiros.


A Veraneio, remodelada em 1989, era ampla e confortável, como a antecessora. Foi - e ainda é - um sucesso e ótima companheira de viagem. A versão a diesel, por questões legislativas, somente foi lançada em 1991.


Naqueles tempos a Chevrolet tinha seus caminhões, que foram alvo de uma boa repaginada em 1985; o conforto interno era apreciável e o volante tinha desenho semelhante ao usados nas picapes e na Bonanza/Veraneio.


A Ipanema (inicialmente chamada de Kadett Ipanema), era a promessa para o ano de 1990: a traseira, de linhas retas, era bastante polêmica (não faltaram as comparações com a Vemaguet), mas fez sucesso.



A Chevrolet se esmerou nos anos 1990, como o catálogo já poderia anunciar; pode ser que a fábrica da gravatinha não tenha sido a melhor fabricante daquela década, mas ela foi uma concorrente de peso neste quesito!