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terça-feira, 11 de outubro de 2022

Catálogo da semana: Volkswagen 16.180CO (1993)

O primeiro movimento da Volkswagen do Brasil no seguimento de veículos pesados foi a compra de todas as ações da Chrysler do Brasil - processo este iniciado em 1979 - e que trouxe todo o aporte de tecnologia de que ela necessitava para ultimar o lançamento de sua linha de caminhões, o que aconteceu no ano de 1981 com a dupla de médios, o 11.130 e o 13.130. A década de 1980 mostrou o acerto da medida e a fábrica, apesar da massiva concorrência da Mercedes-Benz, teve ótimos resultados.

Embalada pelos sucessos e incentivada nos tempos de Autolatina com a participação da Ford, ambas as fábricas - Ford e Volkswagen - decidiram, em conjunto, oferecer uma solução ao mercado de ônibus, do que surgiu, em 1993, as plataformas B1618 e 16.180CO, de cada fabricante, respectivamente. Ainda farei um comparativo entre os chassis quase gêmeos - isso ainda requer alguns estudos, mas me cobrem -, mas, numa visão bastante ampla, ambos eram virtualmente iguais, a começar pela mecânica e as aplicações urbanas e semiurbanas. O que não foi igual foi o número de vendas, muito mais favorável à Volks.

Aqui na região de Florianópolis, por exemplo, ambas as plataformas foram compradas pelas empresas da região; porém, os Volkswagen prevaleceram: no ano de 1994, a empresa Jotur (que ainda atende aos municípios vizinhos de Palhoça e São José, inclusive por meio de linhas que têm destino à capital) comprou 20 chassis 16.180CO de uma só vez - uma compra muito expressiva na região - e providenciou carroçarias da Marcopolo, modelo Torino da quinta geração (o "GV", como é mais conhecido); em 1996 chegaram mais 10 unidades iguais novinhas. Para os parâmetros daqui, um bom lote.

Imagem tomada por João Marcos, pertencente ao acervo de Josué Bernardo, divulgada por Leonardo da Silva no site Ônibus Brasil.

A unidade acima, de prefixo 146, é da segunda remessa (fabricada em 1996) e rodou até o final de 2013 pela empresa; seu paradeiro atual é desconhecido, mas não ficaria surpreso se estivesse a rodar em alguma outra empresa, ante a robustez do motor MWM aliada à carroçaria da Marcopolo, conjunto muito durável e que alcançava facilmente a marca de um milhão de quilômetros rodados sem maiores dificuldades.

Ficou curioso pra conhecer mais dados sobre esta plataforma da Volkswagen? Então vamos ler este interessante catálogo produzido pela Volkswagen em 1993 e que revela todos os detalhes técnicos de que tanto gostamos. Material este divulgado por primeiro pela Anfavea, cuja inciativa muito agradecemos:





A concorrência com a plataforma OF-1318 da Mercedes-Benz foi bastante forte, mas isso não foi um grande obstáculo para a Volkswagen ingressar no disputado mercado de plataformas para ônibus com bastante êxito. O chassi 16.180CO saiu de linha em 1998 para dar lugar ao modelo 16.210CO, uma evolução natural do pioneiro e que manteve bons números de venda. Aquela aposta de 1993 deu certo, até hoje.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Catálogo da semana: Scania B-111 (1978)

Já trouxe aqui, em ocasião anterior, o ônibus da minha infância, o 1093 que urrava pelas ruas do meu bairro e levava os meus vizinhos e conterrâneos para o centro da capital catarinense; porém, bateu aqui a curiosidade em saber qual foi o primeiro ônibus com chassi Scania da região - e após alguma pesquisa, conversa com amigos que têm bom conhecimento e boa memória, cheguei até os carros 69 e 70 da Emflotur, ainda atuante na região continental de Florianópolis, hoje incorporada ao consórcio de empresas outras que venceram a última licitação.

Encomendados em 1977, o 69 e o 70 eram dois interessantes Scania B-111 encarroçados pela Marcopolo com o modelo Veneza II, bastante moderno e estiloso para a época; o urro de ambos deveria ser escutado há muitos metros de distância - à exemplo do S-112CL do qual já falamos -, além disto, o balanço dianteiro bastante diminuto fazia com que a porta dianteira (por onde se saia, na época) fosse instalada após o eixo, configuração usualmente denominada de cabinado pelos entusiastas e que muito me agrada.

Imagem do acervo do Clube do Ônibus Monteiro e publicada por Vladimir José Monteiro Costa no site Ônibus Brasil.

O carro 69 (de chapas AV-0244/Florianópolis-SC) e o 70 (com placas AV-0203/Florianópolis-SC) vieram juntos no começo de setembro de 1978 e certamente chamaram bastante atenção, não só pelo dístico SCANIA em enormes letras na frente da grade do radiador, mas pelo porte e o urro clássico do motor (falo muito disso, não ao acaso); ambos contavam com interior executado em material plástico vermelho (ah, os anos 1970...) e a pintura bege e azul era muito bela e facilmente detectável até mesmo pelos passageiros mais distraídos. 

Duvida? A chegada dessa dupla de peso, por assim dizer, mereceu até anúncio de jornal, pois se tratava de um acontecimento bastante relevante na pacata Florianópolis, como este publicado na edição de 01/10/1977 do extinto O Estado, com foto de nosso acervo (e garimpada nas edições físicas do jornal em tempos de férias da faculdade, há quase uma década atrás):


Mas esses Scania não rodaram muito tempo: por algum motivo, possivelmente financeiro, os Veneza foram retirados do serviço urbano, tiveram as carroçarias Veneza II desmontadas e as plataformas foram aproveitadas para o encarroçamento de dois novos ônibus rodoviários para o uso na divisão de turismo da empresa: um entusiasta comentou no site Ônibus Brasil que a dupla de urbanos se transformou no Marcopolo III de prefixo 580 e no Nielson Diplomata 590; estes há muito vendidos e que não achei nem foto deles pra contar história... 

Ao menos temos as fotos acima e a cópia de um catálogo semelhante àquele que alguém da Scania deve ter apresentado para o pessoal da empresa que comprou a dupla, cuja íntegra nós somente podemos mostrar neste espaço graças à gentileza da Anfavea de ter digitalizado uma incrível quantidade de material legal e que sempre devemos agradecer:








Hoje, com os olhos modernos, os níveis de poluição sonora e ambiental de um B-111 são inaceitáveis; a potência não é das maiores (motores diesel modernos com dois cilindros a menos rendem mais e bebem menos) e o nível geral de conforto melhorou bastante. Todavia, para os entusiastas como eu - e não são tão poucos assim, acreditem - there is no replacement for displacement. Não há substituto para o deslocamento cúbico do motor, sobretudo um doze litros diesel...

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Catálogo da semana: Scania S-112CL (1988)

Dias atrás alguém me perguntou quando comecei a gostar de automotores; apesar de meu esforço sincero de alguns segundos, não consegui definir aquele dia no qual tive um estalo e passei a me interessar pelas máquinas que se andam pelos próprios meios. Obviamente, não é o meu único tópico de interesses (tenho outros gostos e interesses, mas como aqui é pra falar de automóveis, atenho-me a eles), mas é um tema que me persegue desde quando me entendo por gente.

Tanto que uma das minhas primeiras lembranças era de quando eu ouvia o urro inconfundível de um Scania - e sim, com menos de quatro anos eu sabia exatamente a diferença entre os Scania e os Mercedes-Benz, ao menos em questão de ronco -, saia correndo para a janela da sala para ver qual seria o caminhão ou ônibus que passava pela rua da minha infância. 

A empresa que atendia as linhas do meu bairro (e outras do meu município natal, ainda hoje) comprou em 1988 o seu primeiro Scania, o modelo S-112CL, e enviou a plataforma à Marcopolo para que ele viesse em forma de Torino. Para além da primazia, ele tinha o balanço dianteiro (distância entre o centro da roda dianteira e a ponta do para-choques) muito menor do que a dos demais coletivos - e que era uma marca muito peculiar do S-112CL -, o que permita a instalação de um banco quase rente ao painel.

Lembro-me muito vivamente disso porque meu avô materno trabalhou como motorista naquela empresa e em ao menos uma oportunidade ele me convidou para dar um passeio até o centro de Floripa, enquanto ele guiava o bicho. E obviamente escolhi o assento mais próximo ao motorista... 

Fiz esse passeio ao centro com meu avô ao volante várias outras vezes em outros ônibus (todos Mercedes-Benz), mas, dentre todas, a maior e mais especial é lembrança a do passeio neste carro de número 1093. O urro do Scania era mal abafado pelo capô de dimensões continentais, o câmbio de engates teimosos exigia paciência e certa habilidade, o freio motor tinha um ronco gutural que de longe se ouvia... Pura degustação automotiva.

Foto de Francisco J. Becker, divulgada por Diego Lip, no excelente site Onibus Brasil.

A cena acima retratada é a do antigo terminal de ônibus da capital catarinense (inaugurado em 1977 e desativado em meados de 2003; hoje, sem os telhados, serve de estacionamento) e ao vê-la as memórias infantis e afetivas são muito fortes. Quase posso ouvir novamente o urro do Scania e quase posso ver novamente meu saudoso avô, cabelos e bigodes brancos sempre aparados, concentrado no duro ofício de tocar aquele Scania que me parecia ser uma máquina de outro mundo...

Meu primo, mais velho, lembra que quando o ônibus chegou não faltavam motoristas para guiar a máquina nova; um sorteio dentre os muitos candidatos escolheu o felizardo (e eram muito poucos que guiavam Scania na empresa). Meu avô ocasionalmente o dirigia, só quando alguém faltava, pois a linha dele - a mais longa de todas, exigia um carro mais curto, infelizmente. Depois que ele se aposentou, isso em 1996, o 1093 já se tornou menos desejável (muitos outros carros mais novos chegaram...) e a antiga placa WX-2739 de São José/SC deu lugar à chapa MAC-0799. E um acidente fez com que os faróis redondos originais fossem trocados pelos quadrados do Torino 1989, um upgrade bem acidental:

Foto mais recente, também de Francisco José Becker, esta divulgada no site Ônibus Brasil por Derles Borges Pichoff

O tempo passou e apesar de bons serviços (e do sucesso inicial com o público, pois muita gente preferia andar nele em vez dos outros...) e o 1093 foi vendido pela empresa em 1999, com poucos anos de uso (e na época era fácil ver coletivos com mais de vinte anos na ativa); outra empresa da região o comprou e usou mais um tempo, certamente deve ter sido destinado ao ferro-velho depois disto. Nem preciso dizer que se tivesse dinheiro, compraria um destes só pra lembrar da infância e, mais ainda, de meu querido e muito saudoso avô, Santos. 

Vocês podem imaginar o quanto de lembrança que me surgiu quando, ao vasculhar o excelente site da Anfavea - e aqui cabe sempre e sempre nosso melhor agradecimento por eles divulgarem tanto material legal conosco - e achar este catálogo da plataforma Scania S-112CL, justamente a que equipava o meu ônibus da infância, do exato ano em que ele foi fabricado, cuja íntegra segue abaixo:





O 1093 foi especificado pela empresa que o comprou com a suspensão metálica, o entre-eixos de 7,25m (o que fazia dele um ônibus bastante comprido naquela época) e o motor DN 11 01, com seis cilindros aspirados naturalmente que geravam incríveis 203 cv a 2.200 rpm: apesar de ser o motor standard, era muito mais potente que os OM-352 e derivados que a gente muito via nas ruas. E o urro, bem, você precisa ouvir uma vez na vida para saber do que estou a falar...

Vez ou outra ainda uso transporte coletivo e uso os serviços da mesma empresa para a qual meu avô trabalhava. Os veículos mais modernos dela tem suspensão a ar, fazem quase nenhum ruído e são mais potentes que o S-112CL. Mas não são nem um pouco divertidos, não como era o incrível 1093.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Um Dodge V-8 para curtir com a turma: Marcopolo Veneza Dodge D-900 (1977)

A Chrysler do Brasil, apesar das dificuldades financeiras, sempre se revelou uma empresa das mais inventivas: um bom exemplo se traduz na pesquisa do uso do álcool hidratado como combustível para seus motores, isso na alvorada do Programa Nacional do Álcool - Proálcool, iniciativa deflagrada pelo então governo Federal por meio do Decreto n. 76.593, de 14-11-1975.

Naquele mesmo ano a fábrica do pentastar - com o apoio técnico coordenado pelo Centro Técnico Aeroespacial - CTA, à época sob a responsabilidade de Urbano Ernesto Stumpf - fez os ajustes necessários ao uso da novidade no motor 4 cilindros do Dodge 1800. E em companhia de um Volkswagen 1300 e de um Gurgel (outros companheiros da iniciativa pioneira), um exemplar do Doginho percorreu no final de 1976 mais de 8.000km em um teste denominado "I Circuito de Integração Nacional":

Apesar das prováveis dificuldades com o maior poder corrosível do álcool, o Dodge 1800 saiu-se bem na prova de mais de 8.000km. Atrás dele, um Gurgel Xavante que também participou do teste.


Ainda bem que esse interessante Dodge 1800 sobreviveu para nos contar a história! (Imagens extraídas do excelente: http://antigosverdeamarelo.blogspot.com/)

Interessante que nos registros oficiais (consultados via Sinesp) o Dodge aparece como modelo 1977: o mais plausível é que o Dodge 1800 de chassi n. 47.450 seja um pré-série fabricado em 1976 modelo 1977, especialmente porque a cor azul não consta da paleta de cores oficial da fábrica naqueles dois anos modelo!

Os resultados dos estudos capitaneados pela fábrica - cuja responsabilidade recaiu sobre a equipe do engenheiro Clóvis Michelin - também apareceram apareceram na edição de 08/1976 da revista Quatro Rodas:

Notem que o motor desse interessante Dodge 1800 1975 Gran Luxo branco valência ainda usava o interessante carburador SU

Flávio Vincenzetto não teve autorização do CTA para aferir o desempenho dinâmico (inclusive consumo) do Doginho, mas constatou que a dirigibilidade parecia não estar comprometida com o uso do álcool.

E além do propulsor menor, a Chrysler do Brasil também trabalhou na adaptação do seu V8 ao novo combustível vegetal, conforme vemos estas imagens destes exemplares de 1981, todas localizadas por meio do buscador do Google:

Um interessante Dodge Dart sedã a plena carga para testes com o combustível vegetal

Este Polara GL certamente já lidava bem com o álcool, até porque esta nova tecnologia já estava nas ruas há dois anos pelas mãos da Fiat e da Volkswagen

Pena que a Chrysler - inclusive a matriz americana - atravessavam tempos muito difíceis e a fabricante deixou de produzir seus Polara e Dart em 1981 sem lançar uma versão etílica, uma triste injustiça com esta pioneira que somente se explica pela falta de recursos... Mas ao menos o confiável V-8 foi aproveitado pela Volkswagen Caminhões em alguns dos modelos de caminhão Dodge (além dos novos cargueiros com seu nome), à exemplo deste interessante E-21, lançado em setembro daquele ano:


Note que a potência com o uso de etanol era até bastante apreciável; contudo, o consumo em solicitações extremas poderia ser mensurado em centenas de metros por litro, daí porque o uso de tais cargueiros ficou restrito à indústria sucroalcooleira (catálogo publicado no saudoso site Caminhão Antigo Brasil)

E se a Chrysler do Brasil trabalhou entre os anos de 1975 até 1981 na utilização do combustível derivado da cana-de-açúcar para mover automóveis de passeio e veículos de carga, houve, também, a inédita inciativa de criar um chassi para ônibus com o conhecido pentastar.

Ah, antes que você me pergunte, sabemos que até os anos 70 era relativamente comum ver um ônibus montado sobre um chassis de caminhão, aproveitando-se, para isto, da frente do veículo (cabine sem portas e teto, às vezes até sem a moldura do parabrisas original), como este Dodge D-700 encarroçado pela Caio no modelo Gabriela Andino:

Imagem publicada por Paulo Roberto de Morais Amorim no site Ônibus Brasil

Marcopolo também encarroçou alguns Dodge, à exemplo deste modelo Sanremo ST, praticamente fabricado para o mercado externo, sobretudo latino-americano: 


Imagens localizadas por meio do buscador do Google: avise-me se for o primeiro a disponibilizá-la para divulgar aqui os devidos créditos!

Sabe-se que a fábrica cogitou em 1976 a sua entrada no concorrido mercado de chassis de ônibus, mas, em maio do ano seguinte, a ideia de usar os chassis do D-400, D-700, D-900 e D-950 foi abandonada. Não sem antes pensar em uma solução que parecia promissora: o uso de um chassis para ônibus urbano movido a álcool!

Naquele período, o pessoal da engenharia da Chrysler preparou a plataforma do modelo de caminhão D-900 equipada com um pioneiro V-8 318 alcoolizado e o enviou a cidade de Caxias do Sul/RS para a Marcopolo montar sua carroceria urbana então em produção, o modelo Veneza, cujo resultado podemos ver abaixo:

Imagem publicada por Gilberto Martins no site Ônibus Brasil

Notem que o simpático Veneza era relativamente curto para um coletivo usualmente aplicado no transporte coletivo de passageiros (mas, de todo modo, parece ser maior do que os 5,00m da medida de entre eixos mais longa disponível no catálogo do D-900 e D-950) e em razão do eixo dianteiro avançado, a solução foi aplicar a porta dianteira atrás dele, solução aplicada à época nos chassis Mercedes-Benz LP-1113 e Scania no modelo B-110:

Notem que o veículo experimental foi até mesmo equipado com o posto para cobrador, instalado à direita da porta traseira (imagem do acervo de Jozoilton Souza Lopes publicada no site Ônibus Brasil)

Notem a grade auxiliar para auxiliar o arrefecimento do interessante V-8 que morava na dianteira desse chassis D-900 (imagem localizada no buscador do Google)

O coletivo recebeu as chapas NQ-2610 de São Bernardo do Campo/SP e possivelmente foi utilizado no transporte de funcionários e até mesmo como "mula" para a continuação do desenvolvimento do motor 318 movido a álcool. Mas isso são apenas conjecturas, pois não encontrei referências sobre a vida útil desse interessante Marcopolo/Dodge, especialmente a respeito do que aconteceu após a absorção da fábrica pela Volkswagenwerk. Tampouco sei se outro ônibus assim foi montado...

Porém, há uma remota possibilidade de este modelo (ou de outro idêntico?) ainda existir, pois em 2012 este ônibus transformado em motorhome foi fotografado por Breno Jhonatan na cidade de São Gotardo/MG:

Imagem de Breno Jonathan publicada no site Ônibus Brasil

Digo que há uma remota possibilidade de o Veneza retratado mais recentemente ser o protótipo da Chrysler porque: a) não há notícia de outro chassi Dodge D-900 ter sido encarroçado pela Marcopolo (ou qualquer outra empresa do ramo); b) as dimensões retratadas nas fotos são bastante semelhantes (note que o número de janelas - contando as suprimidas - é o mesmo daquelas constantes no Veneza Chrysler); e, c) o emblema da Mercedes-Benz pode indicar a aplicação de um motor diesel da marca germânica, mas as informações do Sinesp dão conta de que este veículo é um legítimo D-900 fabricado em 1977:


Interessante é que as iniciais da chapa são referentes à sequência que foi atribuída em 1991 pelo Denatran ao estado de São Paulo, circunstância que reforça a origem paulista deste Marcopolo Veneza com chassi Dodge. Vai que esse coletivo ao sair da fábrica - se realmente o ônibus CKP-7037 for o nosso protótipo - permaneceu em São Paulo até ser transformado em motor casa? São conjecturas, apenas...

As lanternas traseiras não são mais originais e o teto foi ampliado para o seu uso como lazer. E o veículo estava em muito bom estado! (Imagem de Breno Jonathan publicada no site Ônibus Brasil)

Talvez nunca teremos certeza de que esse Veneza motorhome antes foi o inédito D-900 movido a álcool; se for, certamente o pioneiro alcoolizado (hoje com motor diesel, ao que tudo indica) está divertindo seus novos proprietários nessas muitas estradas do Brasil...