Cena típica, quase clichê: pare um Maverick V-8, preferencialmente com o motor borbulhando em marcha lenta, em um local movimentado - não demorará cinco minutos (talvez menos) para alguém perguntar: "bebe muito?".
Outros, no entanto, preferem decretar: "Ess'aí faz três com um litro de gasolina", ou até mesmo "gasta um litro de gasolina só para dar a partida". Já testemunhei um sem-número de vezes esta cena, e os donos de V-8 certamente se fartam de tanto ouvi-las.
Certo, certo: o Maverick não é um carro essencialmente econômico. O V-8 302 foi projetado em tempos anteriores ao da crise do petróleo, o que faz dele um motor tremendamente robusto, mas um tanto quanto gastador. E o seis cilindros utilizado entre 1973-1975 também não era um exemplo de eficiência. Há quem o ame, mas há quem o deteste.
E nesse climão de crise petrolífera, carros grandes e de motores saudáveis exigiam muita liberalidade do dono, principalmente no momento de pagar a conta do posto. Em tempos de crise, até uma pacata motocicleta de 125cm³ pode gastar demais...
Mas a Ford, esperta que só, lançou, lá em 1975, um excelente motor de quatro cilindros, o 2300, capaz de gerar saudáveis 90cv (brutos) de potência, com consumo de combustível compatível com aquele momento.
E para confirmar a tese, a empresa americana colocou um Maverick sedan, com uma bureta e hodômetros de precisão, na pista de Interlagos (traçado antigo - eh saudade!), e o resultado foi este:
Claro, o teste é um tanto quanto "irreal", pois o Maverick certamente foi muito bem regulado, guiado por experientes motoristas e em condições de pista muito favoráveis. Na rua, no campo de verdade, esperaria algo entre 8,5-9,5 km/l, uma média interessante naqueles tempos.
Agora, se você é o feliz proprietário de um belo Maveco sedan 2300 1975, já vai poder responder aos interlocutores sobre o consumo do carro... Se bem que, em verdade, o importante não é quanto que um carro faz com um litro (ou galão) de gasolina, mas como ele gasta o seu combustível...