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Naquela época a revista Quatro Rodas mencionava o número da placa, chassi e motor; hoje, possivelmente por questão de segurança e privacidade, nenhum dado de identificação é divulgado ao público. |
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terça-feira, 30 de novembro de 2021
Será que ainda existem?
sábado, 27 de novembro de 2021
A resistência de um Volkswagen Passat Surf 1980
Em 18/11/1980, o Passat Surf cinza granito com número de chassi BT 427050 saiu da Sabrico S. A. para a Editora Abril, pelo preço exato de Cr$ 340.822,25. Dias mais tarde, recebeu as chapas ME-3803/SP e logo ganhou as ruas. E se engana você se pensa que essa foi uma compra comum, pois este Passat foi adquirido com um objetivo muito específico: ser testado por 30.000km e depois ter o seu motor a álcool desmontado para uma avaliação muito minuciosa.
Naqueles tempos, os propulsores alcoolizados eram uma interessante novidade (coisas do Pró-alcool, do qual você certamente já deve ter lido em algum lugar, inclusive por aqui) e a iniciativa da revista tinha também seu ar de novidade. Apesar de não ter sido o primeiro a ser tão duramente avaliado (este título coube Fiat 147, em edição anterior), o motor Volkswagen era também novidade e dúvidas não faltavam no mercado. Será que efetivamente o combustível vegetal seria um bom negócio, inclusive a longo prazo? Leia o teste e tire as suas conclusões.
Desconheço o paradeiro deste Surf (versão mais simples, com um jeitão mais esportivo), mas dos motores a álcool sabemos bem que depois das dificuldades pioneiras, conquistou ampla maioria no mercado. Hoje, em 2021, nada compensa financeiramente (nem álcool, gasolina, GNV, diesel ou todos juntos); porém, o maior prazo de financiamento, menores tributos e o amadurecimento da tecnologia então pioneira contribuíram decisivamente para a maior disseminação do carro a álcool naquela já distante época de 1980...
terça-feira, 23 de novembro de 2021
Uma Kombi em 18 prestações (1979)
Quando comprei meu primeiro veículo, isso lá nos idos de 2015, paguei a entrada e pedalei o saldo devedor em intermináveis 48 parcelas. Claro, foi uma péssima decisão porque a financiadora ganhou outro veículo só nos juros bancários, mas, na empolgação, pensei que tinha feito o melhor negócio da vida... Melhorou muito quando descobri que a quilometragem do meu Mille Economy 2013 branco branchisa foi adulterada para bem menos e diversas falhas mecânicas surgiram daí.
Mas não vou aqui me lamentar (tenho até saudade daquele interessante Mille, curada com o meu atual Mille Eletronic 1993 vermelho montecarlo), mas lembrar que em tempos idos você não dispunha de muitas opções de parcelamento: 48 parcelas, bem, só em sonho, pois os prazos mais dilatados para pagamento eram apenas para a aquisição da casa própria, em tempos do extinto BNH. Por isso, quem desejava comprar um veículo novo para o trabalho, por exemplo, tinha de reservar um bom capital ou ter um banco muito parceiro, porque não era tão fácil o parcelamento.
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A peça publicitária é cortesia do excelente blog Memórias Oswaldo Hernandez, que muito recomendamos a visita |
sábado, 20 de novembro de 2021
Frente a frente: Passat GTS Pointer, Gol GT e Monza S/R (1986)
Os veículos esportivos, em regra, despertam fascínio. Claro, o Passat GTS, o Gol GT e o Monza S/R não são veículos de grão-turismo em sua acepção mais decantada e literal, pois se tratam de versões de veículos produzidos em larga série; nenhum deles foi projetado para ser um esportivo, apenas receberam aperfeiçoamentos para melhorar a performance e marcar mais o visual.
Porém, o universo automotivo não é racional - penso, cá comigo, que jamais foi - e quem era jovem naqueles anos de 1980 (e 1990) certamente imaginou ter um destes esportivos para andar rápido nas estradas e muito devagar nas ruas movimentadas nos sábados a noite (esportivos, em geral, tendem a aumentar a capacidade de sociabilidade do motorista, acreditem). Naqueles tempos, como hoje, as versões mais quentes custavam uma fábula e poucos (bem poucos) poderiam comprar, sobretudo porque em 1986 as coisas não iam nada bem na economia nacional (novidade!).
Mas para ajudar na difícil escolha de quem tinha esse maravilhoso problema pra resolver, a revista Motor-3, em sua edição n. 75 (setembro de 1986), apresentou um interessante comparativo assinado por Paulo Celso Facin e Roberto Negraes, com imagens do próprio Negraes e enriquecida com comentários de Adhemar Ghiraldelli Júnior (referentes ao estilo), Dede Gomez (a respeito do comportamento dinâmico em pista) e Luiz Octávio Gonçalves (acerca da acústica). Sim, a matéria é uma verdadeira aula de como avaliar veículos automotores:
terça-feira, 16 de novembro de 2021
O que vai acontecer com esses carros e caminhões? (1979)
A aquisição de uma fábrica por outra não é algo incomum, sobretudo no ramo automotivo. A Chrysler se instalou no Brasil por meio da compra da Simca do Brasil em 1967, aproveitou suas instalações fabris (e mesmo o seu produto mais novo, o Esplanada por dois anos) para lançar, em 1969, o Dodge Dart. E antes do automóvel, uma linha de utilitários.
Como aconteceu com a própria Simca (e com a Vemag do Brasil, por exemplo), os produtos da fábrica incorporada somem para dar lugar aos lançamentos da adquirente (Willys que o diga...), então era muito natural pensar que a Volkswagenwerk, ao completar a aquisição de todas as ações da Chrysler do Brasil, extinguiria os veículos da fábrica americana, cenário este que a seguinte peça publicitária, cortesia do excelente blog Memórias Oswaldo Hernandez nos trouxe, tentou afastar:
Na imagem, para a linha 1979, temos um Dodge P 700 A azul pavão (ao menos parece), um D 970 vermelho riviera (sim, cor de 1977, mas é bem parecida com a do anúncio), um P 900A amarelo álamo, um P 400 verde tivoli, um Charger R/T azul cadete e azul estelar, um Magnum vermelho alcazar, um Polara branco ártico, um Le Baron castanho camurça e um Dart cupê marrom sumatra. Aliás, a linha 1979 trouxe a novidade de uma nova frente, executada em fibra de vidro, com novo desenho (as traseiras também receberam atualização, é bom lembrar).
Mas a gente sabe que o anúncio não garantiu em momento nenhum que a vida dos Chrysler nacionais seria longa: por ter adquirido a firma com o objeto de aproveitar o know-how da fabricação de caminhoes, a Volkswagem não se esforçou muito em mantê-los em linha, tanto que todos automóveis forma extintos em 1981. Aquele foi o fim de uma era...
sábado, 13 de novembro de 2021
Primeiras impressões: Fiat Tempra (Oficina Mecânica, 1991)
É tempo de Tempra, dizia o mote publicitário que a Fiat utilizou para alardear o seu novo lançamento. Sim, o Tempra, primeiro veículo de mais luxo vendido pela fabricante italiana em nossas terras, moderno e funcional sedã médio projetado na medida para concorrer com Monza, Santana e o recém-lançado Versailles, este que, em essência, era uma releitura Ford do sedã médio da Volkswagen.
Com a quantidade relativamente grande de concorrentes, a faixa dos médios era bastante concorrida e a expectativa da Fiat no setor era das maiores, porque o Tempra era um veículo novo de fio-a-pavio (sim, o Kadett, lançado em 1989, era novidade, mas o motor era o mesmo do Monza), uma arrojada cartada da fabricante para aumentar a sua participação no mercado nacional. Afinal de contas, até aquele ano de 1991 o modelo mais luxuoso era o Premio CSL, o qual, apesar de ser interessante e com várias virtudes, não tinha tamanho e motor suficiente para abocanhar vendas do segmento dos sedãs médios.
E as expectativa e a curiosidade do público também não era pequena, e para satisfazer um pouco das dúvidas a novidade, ainda na fase de pré-série, foi avaliada pela revista Oficina Mecânica, em matéria assinada por Josias Silveira e publicada na edição n. 61 da saudosa publicação:
sábado, 6 de novembro de 2021
Teste da semana: Ford Corcel (1968)
terça-feira, 2 de novembro de 2021
Chassi antigo, roupa nova: Marcopolo Torino Mercedes-Benz O-362 (1989)
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Ai está um dos muitos O-362 que a CMTC recebeu a partir de 1975 (foto: acervo de Alexandre Antônio, via revistaportaldoonibus.com |
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Novinho, o Torino O-362 é apresentado no Complexo Santa Rita (foto: acervo SP Trans) |
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Ainda sem placas, o Torino já fazia linhas para a empresa (foto do acervo de Waldemar Freitas Júnior, via revistaportaldoonibus.com) |
Carroceria: Mercedes-Benz O-362 urbano (1975) e Marcopolo Torino (1988)
Motor: OM-352 (6 cilindros em linha, 5.675 cm³ de cilindrada, ciclo diesel com aspiração natural)
Potência: 130cv a 2.800 rpm (norma DIN)
Torque: 37 mkgf a 2.000 rpm (norma DIN)
Entre-eixos: 5.550mm (original)
Peso bruto total: 11.500kg (original)
PS: As informações históricas a respeito da CMTC foram extraídas do excelente livro "Pequena História dos Transportes Públicos de São Paulo", escrito por Miriam Bettina Paulina Oelsner Lopes e publicado pela empresa em 1985.