segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Manual do Proprietário: Chevette, Chevy 500 e Marajó (1989)

Só posso agradecer ao pessoal da Chevrolet, pois eles, num gesto de muita gentileza e preocupação com seus consumidores, presentearam-nos com mais esta preciosidade: o manual do proprietário para a linha Chevrolet do ano de 1989, coisa de exatos trinta anos atrás... E para que a gente não esqueça, porque já tem um certo tempo, a linha Chevette/Marajó/Chevy 500 não apresentava lá muitas novidades (o Kadett, lançado em abril/1989, monopolizou todas as atenções). Ao contrário: de relevante, o fim da Marajó, a interessante e única pequena perua de tração traseira. O tempo voa, não é mesmo?
 
Mas vamos deixar as lembranças para lá e partir para o que interessa: o manual, na íntegra, da linha Chevette para o ano de 1989:


















































































 


Duas coisas precisam ser ditas ao fim desta postagem. A primeira delas é renovar o agradecimento à General Motors do Brasil pela gentileza e preocupação de compartilhar estes manuais tão preciosos (e inéditos na internet, ao menos na íntegra e com boa resolução) com os proprietários e fãs desse interessante modelo; a segunda menção que faço é um pedido: compartilhe o manual, mas não cobre por isso. Lembre-se que a fábrica o disponibilizou gratuitamente, como também faço, e a ideia deste espaço não é ganhar dinheiro com os materiais, mas fazer amigos e espalhar informações corretas e precisas.

E, por fim, mantenho a promessa: logo trarei mais manuais pra gente ler e se divertir, aguardem!

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Teste Picape A-10 e A-10/1000 (Motor-3)

Até o começo deste ano morei em um prédio onde um dos residentes gostava tanto de carros antigos como eu - e ele tinha uma sensacional C-10 1974, equipada com o vigoroso motor GM 261 com alguma preparação e outras traquitanas interessantes, como a injeção eletrônica programável, suspensão rebaixada, rodas de tala bem larga, embora a estética se mantivesse original. O ronco do confiável seis cilindros ecoava por entre as garagens do prédio, som maravilhoso que às vezes me despertava aos sábados pela manhã.

Antes da caminhoneta o vizinho teve um Dodge Dart caracterizado como Dodge SE 1975 (igualmente preparado e com escapamento liberal, uma delícia de ouvir e de guiar) e eu jamais reclamei de barulho ou de qualquer coisa do gênero. Afinal de contas, um bom ronco pela manhã é algo muito salutar...

Lembrei-me do simpático vizinho ao ler esta edição da Motor-3 (n. 21, março de 1982), na qual, dentre tantas outras coisas interessantes, o Paulo Celso Facin nos presenteia com uma avaliação muito interessante das picapes a álcool (não, não consigo falar etanol) para aquele ano, inclusive o modelo 151, não muito interessante em termos dinâmicos mas até que razoavelmente (apenas razoavelmente) econômico. Tempos duros, aqueles... a D-10, duríssima na queda, custava muito caro e nem sempre era compensador investir nesta versão quando a A-10 (ou a A-10/1000, com 6 cilindros) poderia dar conta do recado.

O Fiat Panda, veículo lançado dois anos antes, era um urbano dos mais interessantes, principalmente na versão 45.






Seria quase um ato de ingenuidade esperar economia de combustível do seizão alcoolizado, e tenho certeza de que a Chevrolet não esperaria muito milagre nisso. Mas, apesar da voracidade do consumo, o custo-benefício era razoável, sobretudo para quem desejava uma picape mais ágil e com boa capacidade de carga (a quatro cilindros, então, era bem mais modesta em suas pretensões, mas não decepcionava muito). Poucas, muito poucas sobraram, mas ficou o teste ai pra gente ler e imaginar como eram os loucos anos 80.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Teste técnico: Dodge Polara (1977)

Um dos carros de que mais gostamos aqui é o Dodge Polara. Para além de ser um Dodge nacional (e eu sou fã dos Dodges nacionais, como vocês já devem ter percebido), o veículo é confortável, bem acabado e com produção muito baixa, predicados que o tornam altamente colecionável.
 
Mas deixarei os elogios para uma outra oportunidade; hoje é dia de ler mais um dos testes técnicos elaborados pela saudosa revista Quatro Rodas Oficina (edição n. 35, de outubro de 1977), ocasião na qual os profissionais da revista testaram de forma mais aprofundada este interessante Polara GL vermelho Veneza (NT-2, se quiserem saber o código da plaqueta) com interior executado na mesma cor. Teria fácil um desses, se pudesse...
 
A revista era muito interessante para os leitores que trabalhavam nas oficinas da época e para aqueles entusiastas do universo da mecânica, como é o meu caso.

Dos 93cv (SAE) gerados pelos quatro cilindros de 1.800 cm³ de cilindrada, apenas 68 deles chegavam às rodas.

O teste de aerodinâmica era bem singelo (bastava colar as fitas para indicar o caminho dos ventos), mas hoje, nem com a tecnologia atual, as avaliações chegam a estes detalhes. Será que o mundo digital nos tornou mais rasos e imediatistas? Fica a reflexão...

Para um veículo da época, o resultado até que foi bem razoável. Mas nem adianta comparar com um Calibra ou outros carros interessantes que cortam o vento como uma espada afiada.

Sim, o Polara usava o interessante carburador SU. E não vão inventar de colocar óleo Singer nele: usem o óleo recomendado pelo motor e sejam muito felizes. E não caia no papo do mecânico sabichão: o SU é um bom carburador, sim senhor!

Não era revolucionário, mas o projeto era interessante e correto para a época. Poderia andar um pouco mais para um carro de 1800 cm³, mas não faz feio.

A transmissão foi alvo de críticas no lançamento; em 1978, já amadurecido, o Polara não aborrecia mais os seus donos.

Se um dia precisar mexer no breque do Polara, o desenho pode ajudar.



Os concorrentes da época eram muito bons, reconheço (Passat, principalmente). Mas o Polara é o meu favorito, não adianta. Cada qual tem seu gosto, né? E qual é o seu?

domingo, 20 de outubro de 2019

Monza SL/E 1982 (Teste Motor-3)

Um dos meus carros nacionais prediletos é o Monza. Ele tem uma história das mais interessantes: vendeu mais de 850.000 unidades entre 1982 até 1996 (quando foi aposentado de forma digna pelo Vectra, outro dos meus prediletos), foi o automóvel nacional mais vendido entre os anos de 1984 até 1986, foi tricampeão do título "Carro do Ano" da revista Auto Esporte (1983, 1987 e 1988), foi o primeiro carro à álcool com injeção eletrônica do mundo (1991, do modelo single point) e outras façanhas que nem me lembro agora...
 
Mas não é só por conta do histórico, mas também pelo conforto, potência (à exceção da versão 1,6, essa não muito bem lembrada por dever um pouco mais de força), acabamento (especialmente o Classic) e uma tranquilidade repousante ao dirigir. É bom ter um Monza e uma estrada aberta para andar rápido e com conforto e segurança.
 
O Santana, carro também excelente, tem um comportamento mais firme e esportivo, digamos assim (especialmente com o bom motor 2000); o Monza é pensado para ser confortável acima de tudo - e se o câmbio automático dele tivesse 4 velocidades, ah, seria imbatível... Mas, como ele não teve, prefiro a transmissão de 5 velocidades, com bom escalonamento e engates que considero bons. Se você prefere conforto como eu, vá de Monza e seja feliz.
 
Mas em 1982, ano do lançamento, o carro chegou até tímido, não mostrou todo o seu potencial de luxo e conforto assim, de pronto. Tivemos, primeiramente, a versão hatch equipada com motor 1,6 (o sedã e a versão 1,8 viriam no final do ano), que, se não era das mais rápidas, chamava a atenção pela modernidade do projeto. Aquela aura de carro mundial deixava as pessoas bastante curiosas.
 
Enfim, por falar em curiosidade, deixarei vocês na companhia de José Luiz Vieira e da Motor-3 de julho de 1982, edição com o primeiro teste completo do interessante Monza. Leia e divirta-se!
 
Melhor revista de automóveis editada no Brasil. Dispensa maiores comentários.


O interior era um pouco "pobre", os instrumentos também; tais problemas foram resolvidos em 1985, quando chegou às revendas o modelo 1986.




Celso Lamas é uma das lendas do design nacional. Não o conhece? Pesquise sobre ele, vale a pena!
 

 
Sim, o carro era meio soneca e deixava a desejar no consumo se comparado aos concorrentes da época. Entretanto, era só o começo da história desse interessante veículo nacional, que, ao longo dos anos, tornou-se cada vez mais interessante. Duvida? Qualquer dia desses eu publico aqui mais testes do Monza pra gente ler junto, o que acham?


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Audi Quattro rali (1982)

Um dos mais empolgantes carros esporte da década de 1980 foi o Audi Quattro. Predicados não faltavam: moderno, tecnológico, potente e bastante avançado em comparação aos veículos que tinham aqui no Brasil (a começar pelo uso esportivo da tração integral, à época muito mais difundida no uso de fora de estrada), viatura que chamou a atenção de todos meus conterrâneos ao participar, em 1982, da etapa nacional do Campeonato Mundial de Rallye (WRC, se preferirem).
 
A Volkswagen, dona da Audi, até promoveu uma exibição especial na recém inaugurada pista de autocross de Interlagos para mostrar ao público os muitos predicados do interessante Quattro. E para a nossa sorte, Expedito Marazzi estava lá e testou o carro para a revista Motor-3, edição de setembro de 1982. De todos os textos que li do saudoso mestre, esse foi o melhor deles - e seria terrível deixar essa avaliação escondida em meu acervo sem divulgar a todos os automobilistas que, como eu, têm saudade dos tempos idos.
 
Sem delongas, amigo(a) leitor(a), leia com calma e divirta-se!
 




Ao ler a reportagem pela enésima vez, veio-me a lembrança daquela música do Lilico: "que tempo bom / não volta mais / saudades de outros tempos iguais".


sábado, 12 de outubro de 2019

Teste: Agrale TX 1200 e TX 1600 (1985)

Uma das coisas que me impressionam no mundo automotivo é a sua amplitude. Jamais saberei tudo sobre os veículos que me atraem desde sempre (o que só renova o meu interesse nesse universo) - e um fato interessante, recém descoberto por mim, é que a Agrale já usou o motor 2500 da Chevrolet (sim, o 2500 da linha Opala/Caravan) para equipar o caminhão leve TX.
 
Sim, esse simpático e versátil motor já foi usado em tudo quanto é possibilidade: em Mercedes-Benz (gambiarra bem comum em tempos de peças caríssimas por conta da severa restrição nas importações), em BMW, em Alfa-Romeo 2300, em Alfa Romeo 164 (sim, que heresia!, os alfistas devem estar pensando...), em Jeep Ford e Willys (inclusive Rural e na picape), em barcos e até como modelos originais de fábrica, como no caso de muitos veículos e utilitários produzidos em pequena série, à exemplo do Santa Matilde e do Puma GTB.
Mas caminhão, pra mim, é inédito! Sim, já tinha visto o TX 1600 diesel algumas vezes (ano passado emparelhei com um que viajava na BR-101 próximo a Balneário Camboriú) e acho interessante aquele pequeno caminhão. Mas a álcool, sinceramente, não conhecia.
 
Bom, vou deixar de mistérios e trazer a vocês a avaliação feita pela revista O Carreteiro, edição de abril de 1985, parte do meu acervo que hoje apresento a vocês:
 

Note o Scania 111 ao lado, todo enfeitado.

 


Note o acesso ao motor pela cabina: trocar o filtro de ar era fácil; não garanto que outros serviços são igualmente simples de serem feitos...



O consumo da versão a álcool era semelhante com o da A-10/1000 de seis cilindros
 
A linha TX não vendeu bem - e isso facilmente explica o motivo pelo qual vi poucos nessa vida. A ideia de ter um pequeno caminhão trafegando em nossas ruas ainda não era lá muito difundida; quem tinha dinheiro pra investir em transporte, certamente já partia para um veículo com capacidade de carga maior (F-4000, D-40, L-608/L-708). Uma pena: os TX trouxeram um conceito novo, hoje difundido, mas que na época não empolgou a todos.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

CBT Javali (protótipo de 1988)

Nascida em 1960, bem na alvorada da indústria automobilística nacional, a Companhia Brasileira de Tratores - CBT dedicou-se, a partir do ano seguinte, à fabricação de uma interessante série de tratores nacionais, com bons números de vendas. Porém, a partir da exata metade da década de 1980, a CBT teve a ideia de diversificar seus produtos, inclusive para produzir seu próprio jipe, o Javali.
 
 
Era um utilitário bem simples, esse tal de Javali. Lançado em 1990 com um motor turbo de três cilindros e 84cv, o utilitário tinha bons dotes no fora de estrada, apesar de carecer de um certo conforto, a começar pela sentida falta da assistência hidráulica na pesada direção. Já manobrei um bicho desses e posso garantir que foi um exercício e tanto! Mas, apesar disso, o Javali tinha excelentes dotes e até poderia ter sido vendido em maior número, não fosse a teimosia da fabricante de produzir tudo (inclusive o motor, mesmo dos tratores da CBT!), decisão que, embora louvável, implicava (e ainda implica)em um certo trabalho na busca das peças de reposição.
 
 
Mas quem tem um desses certamente não se importa com as eventuais dificuldades, porque é um interessante e ágil off road, com preço de aquisição mais fácil do que um Toyota Bandeirante e com custo operacional mais baixo do que a de um Jeep Willys ou Ford com motor a gasolina.
 
 
Aliás, achar um Javali não é tarefa das mais fáceis: o bicho foi lançado no Salão do Automóvel de 1988 e só foi vendido entre os anos de 1990 até 1993, provavelmente não mais do que mil ou duas mil unidades. Uma pena, o jipão merecia mais sucesso.
 
 
Enfim, de saudade não se morre e este blog vive de lembrar das coisas boas da história automotiva, por isso trago a vocês essa matéria veiculada na revista Quatro Rodas Aventura de junho de 1988, na qual a revista travou um primeiro contato com o 4x4:


Não é demais recordar: o Javali foi vendido ao público com motor turbo.
 



O protótipo, como vocês podem notar, apresentava características um pouco diversas das apresentadas veículos de produção (afinal, é um veículo pra desenvolvimento); mesmo assim era possível antever que o jeito despojado do Javali, apesar de seus defeitos e de suas particularidades, não fazia feio perante seus concorrentes mais diretos. Aliás, o dono do Javali que manobrei há uma década atrás ainda tem o jipão e não o vende de jeito nenhum (ainda mais agora, por ter instalado um moderno motor MWM e câmbio capaz de aguentar o torque). Ele deve ter seus motivos...

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Teste Ténico: Chevette 1978

Dia desses eu estava revirando os meus guardados e achei esta edição da revista Oficina Quatro Rodas, editada pela Abril nos anos 70 e que não durou muito. Tenho quase todos os exemplares e neles encontrei este interessante teste, tocado pela criteriosa equipe, que procurava detalhes técnicos mais aprofundados do Chevette para o ano de 1978:
 
Era uma revista pensada para os que gostavam muito de mecânica em geral, note as dicas para regular motos e até mesmo criar uma ponta de provas.
Trata-se de um material inédito na internet até onde pude checar - e é interessante notar que a revista, à exemplo do que fazia a Auto Esporte, testava a aerodinâmica dos modelos nacionais. A maior curiosidade estava em saber se as novas linhas da dianteira trouxeram efetivamente algum ganho no corte do ar, o que vocês podem verificar ao longo do texto.
 
Aqui temos a quebra de um antigo paradigma: a potência anunciada (bruta) é sempre inferior àquela que se afere diretamente nas rodas do veículo. O Chevette dispunha, bem reguladinho e em bom estado, 48cv.




 
O Chevette é um carro dos mais interessantes, como sempre faço questão de escrever aqui. E nem mesmo o passar do tempo, mais de quatro décadas para ser mais exato, fez com que o pequeno sedã deixasse de ser uma opção válida para transporte e curtição.