Criei-me em um bairro modesto da minha cidade natal, então, na infância, via muito os modelos mais antigos e simples: Corcel, Fusca, Brasília, Variant, Gol, Chevette e outros, muitos outros. Às vezes, bem às vezes, via um Opala Diplomata, um Santana/Quantum GLS, um Monza Classic ou mesmo uma Yamaha RD 350 (sem falar no vizinho que tinha uma lindíssima Yamaha 600XT Tènèrè azul, de segunda mão). Quando em vez via uma BMW da série 3, mas raro mesmo era ver um Kadett GSi conversível.
Também pudera! O carro custava uma fortuna, pois o seu processo de fabricação era dos mais interessantes: o assoalho e a frente eram feitos em São Paulo, depois o começo de Kadett viajava até a Itália, onde, aos cuidados do Estúdio Bertone, tinha a montagem finalizada, inclusive os vidros eram de lá. Terminado o serviço, o Kadett, agora mais inteiro voltava a São Paulo para receber a mecânica, os testes finais de acabamento e só aí estaria prontinho para ser recebido com muita festa em alguma das concessionárias Chevrolet do Brasil.
Mas o passeio na Europa fazia muito bem ao Kadett: eu via poucos na rua, mas chamava atenção adoidado! Lembro de um branco garboso, com filme espelhado nos vidros (ah, a terrível moda daquela época), motorista sorridente enquanto driblava as ruas de paralelepípedo e lajotas do meu bairro. Um disco voador não chamaria mais a minha atenção naquela tarde de verão...
O fato é que o bicho, produzido entre 1991 (já como modelo 1992) até 1994 (os últimos como modelo 1995), fez muito sucesso e divertiu muita gente! Tanto que a fabricante resolveu se lançar à importação do Kadett Conversível, denominando-o de Kadett GSi Cabrio (sim, ele é um cabriolet e não um conversível, notem bem), como nós podemos ver deste caprichado folheto, encontrado em uma busca recente do Google:
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| O visual era idêntico ao nacional, fazia muito sucesso e era moderníssimo |
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| Caso o proprietário das imagens apareça aqui, manifeste-se para que eu confira os devidos créditos |
O tempo voou desde a primeira vez que vi um destes, e os GSi sem capota tornaram-se ainda mais escassos. Pena, porque eu adoraria ter um destes para andar rápido em um dia de verão, justamente como fazia o dono do primeiro Kadett cabriolet que lembro de ter visto, lá nos idos de 1994/1995...


Conversível a gente costuma lembrar somente das barcas americanas, porque na carroceria sob chassi sobra mais espaço pra capota, ou então de roadster de luxo europeu quando o teto partido dobra pra caber no porta-malas. A maioria dos "conversíveis" que tivemos eram os fora-de-série que não costumavam ficar muito alinhados de painéis, ou então um teto cortado num carro que nunca mais passou numa vistoria de transferência (isso geralmente exige um engenheiro e uma empresa especializada).
ResponderExcluirEu cheguei a ver um desse Kadett conversível detonadão andando no trânsito da cidade onde moro. A maioria das pessoas nem repara que esse carro existe. Branco com o teto preto. Curiosamente eu lembro que o pai de um amigo, que na época era vizinho meu, tinha o Escort conversível. Ali pelos 2000s esses carros eram meio que bizarros porque todo mundo olhava um conversível com muita desconfiança. Hoje, ao que me parece, o pessoal aceitou melhor a ideia de um carro sem capota de metal. Talvez o sky window do Fiat Stilo tenha afrouxado a régua de aceitação e aquele Peugeot 206 Cabrio aparecendo numa novela da globo tenha sido mais uma bolinha cantada na caçapa.