domingo, 2 de janeiro de 2011

Já não se faz carro como antigamente... (Parte II)

Se na postagem anterior a turma dos saudosistas comemorou o 1x0, creio que a disputa vai ficar mais acirrada... Apesar de ser um saudosista nato, sou obsessivo por segurança.
Graças a Deus nossa indústria evoluiu tremendamente nesse sentido. Nossos carros, embora pareçam frágeis estruturas de plástico, são seguros. Basta pensar que um desastre automobilístico (como se dizia há uns 30/40 anos atrás) era quase fatal. Sabe por quê? Veja esta pequena lista (exemplificativa) de armadilhas que os carros de outrora tinham:

1) Freios a tambor nas quatro rodas: os freios de serviço (nome pomposo para o freio de pé) eram basicamente compostos por quatro tambores; geralmente com os dianteiros com dois cilindros de acionamento (a Chrysler denominava os freios assim construídos de duplex), para garantir maior eficiência.

Tambores dos Dodge Dart de primeira leva (Manual de Serviço Dodge- dodgeclubedecuritiba.com)
O problema não era o freio em si, mas a sua menor capacidade de dissipar calor. Em palavras mais simples: o tambor esquenta muito mais facilmente que o disco. E o aquecimento, o famoso fading, causa a perda momentânea da capacidade de frenagem. Imagine um auto de 1.800 kg descendo uma serra esportivamente... Haja lona pra segurar! Hoje até mesmo a veterana Kombi tem freios a disco. E há o servo-freio, dispositivo que permite a melhor modulação da frenagem, além de diminuir o esforço.

2) Ausência de cintos de segurança: não preciso me alongar muito descrevendo o perigo que a falta de cinto causa...

Mas atento para um detalhe: os cintos pélvicos, aqueles que só passam pela bacia, não garantem a colisão do corpo com o painel. E os diagonais, aqueles que passam pelo tórax e omoplata, (famosos por equipar a linha VW da década de 1970) não evitam o escorregamento para baixo do painel. Bom mesmo é o já famoso cinto de três pontas!

O cinto de três pontos foi criado em 1959 pelo sujeito da foto, Nils Bohlin, então engenheiro da Volvo (foto: motordream.uol)
3) Painel não projetado para choques: Certa feita li numa entrevista a declaração do médico José Guimarães Moraes a expressão “painel karatê”. "Os painéis antigos eram feitos basicamente em um ângulo agudo de formato bastante saliente. O passageiro que ia de encontro ao painel recebia um contragolpe. Além disto, o material empregado na construção não absorvia impactos. Hoje é tudo diferente".

Notem os ângulos agudos, inexistentes atualmente (Foto: motorclássico.pt)
4) Pára-brisa temperado: Os pára-brisas de antes não eram laminados. Quando quebrados, formavam milhares de caquinhos. E uma maldita poeira fina, péssima pras córneas. Os vidros atuais são laminados; e não se estilhaçam. Muito mais seguros.

5) Carroçaria: Carro não era feito pra bater. Em severas colisões, notadamente as dianteiras, as portas emperravam e as colunas entortavam. E o capô invadia o habitáculo. A chaparia não dissipava a energia do impacto; coisa que só o Dodge Dart trouxe pro Brasil em 1969.

6) Sistema de alimentação: Numa porrada feia, muitos carros pegavam fogo. Uns por causa do não-desligamento da bomba de gasolina (mandava gasosa mesmo quando a porrada era feia), outras vezes por conta do rompimento do tanque de gasolina.

7) Ausência de encosto de cabeça: Sem o encosto, há o risco de lesões medulares em caso de impacto traseiro. Problema sanado pelo Charger R/T e pelo Passat.

Outros equipamentos foram introduzidos para evitar o mínimo de ferimentos aos ocupantes dos automóveis. Caso do Air Bag, as barras de proteção laterais (que ficam dentro das portas, protegendo os ocupantes dos impactos laterais) e outros. Sem fala nos dispositivos que evitavam os acidentes, caso do ABS, controle de tração e tantas outras traquitanas.


Não existe carro seguro. Mas a evolução tratou de deixar os autos cada vez menos inseguros... Viva a tecnologia!

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NOTA: Não sou ingênuo de pensar que as mortes no trânsito só se dão por causa do carro. Há outros fatores determinantes: péssima condição das estradas de anos atrás (mais precárias que hoje, acreditem!), imprudência, imperícia, falta de manutenção adequada e etc.
Também não quero dizer que os autos antigos são cadeiras-elétricas. Se utilizados com discernimento, assim como qualquer meio de transporte novo ou antigo, eles têm margem de segurança. Automóveis não são brinquedos.
Por fim, não sou engenheiro ou médico. São observações coletadas ao longo de quase uma década de estudos em relação aos automóveis.
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Foto da Semana

Foto de Oswaldo Maricato- QR de 10/1969
A primeira foto da semana de 2011 não é um primor de resolução, mas é uma daquelas que valem à pena compartilhar: junte Expedito Marazzi, um fotógrafo excelente, um Dodge Dart, uma praia e o pôr-do-sol: não tem como sair ruim a foto!

Esta é uma foto-conceito, pois ela sintetiza os anos 70: velocidade, impetuosidade e cores vibrantes. E uma penca de boas histórias pra contar!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Já não se faz carro como antigamente...

Nas rodinhas que sempre surgem no entorno de um automóvel antigo, seja nacional ou feito nos estrangeiros uma exclamação é sempre repetida: "ah, já não se faz mais carro como antigamente!", invariavelmente acompanhada de um incontido suspiro... Este inocente comentário pode gerar algumas reações, a saber:

Opel Kapitan 1951: This is a old school!
1) Todos da rodinha concordam, afinal o carro mudou muito- mas muito mesmo. Ficou mais cheio de plásticos, chaparia mais frágil, motores eco-amarrados e desing repetitivo...

2) Todos ouvintes retrucam o automobilista-saudosista afirmando que a evolução é bem-vinda! Os autos estão mais seguros, econômicos, tecnológicos e práticos de se guiar.

3) Surge um violento quebra-pau entre as duas correntes acima, com argumentos peremptórios de todos os lados...

Literalmente: não se faz mais carro como antigamente, devo reconhecer. As técnicas de produção estão dia-a-dia mais apuradas, diametralmente opostas ao que se fazia há quatro ou cinco décadas atrás... Ironias à parte, posso apresentar vários aspectos que corroboram as duas grandes versões, quer nos pontos que a evolução foi ruim- ou foi interessante. Por hora, vamos analisar algo que a evolução automotiva praticamente matou: a escolha da cor dos interior do veículo. Nem sempre a evolução é bem-vinda...

Vasculhei os sites das principais montadoras nacionais, e dos autos fabricados no Brasil, só mesmo o Fiat Linea oferece opções dos revestimentos. Imagino como seria bom ter um Linea T-Jet Vermelho Magma (ou mesmo Preto Vesúvio) com os revestimentos da cor bege. Pena ser o único (salvo engano meu) auto nacional que permite a escolha da cor dos revestimentos internos.

Os automóveis de antigamente não eram assim, pois em muitos casos a cor do interior era opcional, o que quebrava a monotonia do interior preto. Caso da Volkswagen:
 
O Fuscão 73 dispunha, opcionalmente, destes estofamentos em bege claro. (Foto: QR)
Como esquecer dos lendários bancos vermelhos do Passat LSE 85/86 "Iraque"? (foto: HP do Passat)
Bancos marrom com bege, TS 1979/80 (foto: HP do Passat)
Ao longo do tempo a VW ofereceu várias opções: bege claro ( na verdade um quase branco, caso do VW 1500 1973), bege mais escuro, azul índigo, vermelho e o preto. Sem falar nas coloridas padronagens de tecido, como o tecido xadrez que equipou a primeira leva de Gol há trinta anos atrás...

A GM também tinha em seu catálogo várias opções. Os Opalas '68 poderiam ser encomendados com o interior em azul, vermelho e o manjado preto. Um dos mais famosos revestimentos é o Comodoro 1978 com interior vermelho, conhecido pelo apelido "château", obviamente por influência do anuncio abaixo:

Taí uma coisa que nem o festejado Malibu tem: interior vermelho (Anúncio GM- opala.com)
O Chevette também era pródigo em opções de cores para o habitáculo: preto, bege e vermelho. Em 1979 a Quatro-Rodas testou um sedã quatro portas prata com o interior vermelho. É bem verdade que o prata da carroçaria não combina lá muito bem com o estofamento rubro, mas não deixa de ser uma combinação tão rara quanto interessante:


Será que ainda existe um destes? (Foto Heitor Hui/QR) 
Como vocês devem ter percebido, o interior era vermelho: carpetes, console, painel e até mesmo o volante eram vermelhos. Mas o preto, teimoso que só, ainda aparecia em alguns detalhes, como o rádio e a alavanca de câmbio...

Revestimento plástico imitando madeira e interior vermelho só se viam nos anos '70... (Foto Heitor Hui/QR) 
Mas o Chevette teve um revestimento muito mais marcante: jeans. Isso mesmo, o clássico brim também revestiu bancos e forrações do Chevette! Em 1977 a Gurgel lançou o Xavante-X12 com capota e interior em Jeans. Dois anos depois a Chevrolet lançou no mercado a série especial Jeans do Chevette.

Honrando o nome, o sedã trazia os revestimentos internos em brim azul, e as costuras lembravam as usadas nas calças de brim. O pessoal da GM se empolgou tanto com a ideia das calças que chegou a reproduzir bolsos nos bancos.

Fotos: opaleirosdoparana.com
O Raro Chevette Jeans: repare no "bolso" da porta...
A Ford era menos ousada, apostava no vermelho e no bege, além do preto de sempre. Fiat também. Já a Dodge apostou em várias opções: verde escuro (presente nos Dart de primeira fornada 69/70), bege (desde 1974), azul, vermelho (desde 1977) além do básico preto.

Os Dodges também tinham o interior caprichosamente monocromático (foto: museudodge.com)
Quer seja em couro ou em veludo, as cores eram bem variadas na linha Dodge. Os bancos da Dodge figuram entre os mais confortáveis já produzidos.

Raro R/T 1977 Prata Monterrey com interior vermelho (Foto: Revista Old Cars)
Nos Charger R/T um detalhe interessante chamava a atenção: a cor das faixas externas combinava com a cor do interior... Tal detalhe só garantia a maior variedade de opções de modelos diferentes.

Como discutimos no começo deste texto, nem sempre a evolução automotiva é motivo de festa. Nossos carros novos perderam as várias possibilidades de cores de revestimentos internos por causa da maldita redução de custos- e da otimização da montagem (menos peças diferentes, mais fácil de se montar e menor é o custo!). Ontem os tecidos eram finos, confortáveis. Hoje continuam finos, mas de espessura... É verdade. Os automóveis não são mais como antigamente...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Foto da Semana


Da série: "a foto saiu sem querer querendo,mas não é que ficou boa!". Trata-se de um Aero-Willys Ford '71, já devidamente registrado neste blog.  Estes cromados reluzentes, a pintura azul bem polida e a providencial sombra fazem uma combinação tão perfeita que nenhuma foto mal feita consegue estragar!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Foto da Semana

É verdade que meu blog anda um pouco monocórdio, pois só posto mesmo a seção Foto da Semana e as fotos relativas do 19º Encontro Sul-Brasileiro de Veículos Antigos. Falta de tempo, meus leitores; mas palavra que em 2011 postarei temas mais criativos.

Por hora, vamos à Foto da Semana: é um Dodge Dart (1969 ou 1970?) Azul Abaeté, momentos antes de pegar a estrada. Obviamente esta foto não é minha, foi cedida por Eugênio Lumertz ao deslumbrante site museudoge.com. Segundo a fonte, a foto é de 1974.

Viste:museudodge.com!
É uma cena bastante comum nesta época do ano, onde sempre tem um carro carregado de pessoas- e bagagens- nas estradas do nosso país. No lugar dos Dart, Maverick ou Galaxie- tão comuns nos '70- vemos Civic, Corolla e Fusion...

sábado, 18 de dezembro de 2010

19º Encontro Sul-Brasileiro de Veículos Antigos (Parte V)

Continuando a série de fotos, hoje trataremos dos Ford presentes no evento. E não eram poucos!
 
Ford 1932 Roadster, todo original!
Este Ford 1932 bege está em excelente estado de conservação,inclusive equipado com alguns interessantes opcionais: um baú de madeira, com o brasão da Ford, que fazia as vezes de porta-malas. Acontece que este Fordinho não dispõe do porta-malas convencional, pois o espaço traseiro da carroçaria é tomado por um banco auxiliar.

Este banco é conhecido como "banco da sogra", pois fica na traseira do veículo; longe, portanto, do habitáculo dianteiro. Aqueles que não tinham tanto apreço pelas sogras deveriam adorar pô-las neste banco, sobretudo em dias de chuva: acontece que quem vai neste banco não tem nenhuma proteção. Se estivesse chovendo, o jeito mesmo era usar um guarda-chuva...

Em plena forma, o F-6 carregava nas costas o Citroën 1947 também presente no evento.
Este Ford F-6 1952 em raro estado de conservação também estava exposto no evento. Este F-6, que já deve ter carregado meio mundo no chassis, foi restaurado em 1998 pelo pessoal do Relicar- de Araranguá/SC.

Assim como outros caminhões expostos, ao final do evento eles pegaram a estrada rumo ao lar. Tão bom ver estes antigos em forma rodando pelas estradas!

Mais um salvo: se ele já está bonito, imagine quando for restaurado... Boa sorte ao proprietário!
Não posso afirmar com plena certeza, mas acredito que este carro seja recém-importado dos Estados Unidos, pois o modelo ainda conserva alguns adesivos de licenciamento do estado da Flórida, se não me engano, no quebra-ventos.

Afora o impasse acerca de sua origem, este Fairlane 1958 500 é um baita! A combinação de cores é bastante interessante: sua cor predominate é preta, com alguns detalhes em amarelo e branco. Apesar do Fairlane ser da época em que os cromados eram constantes- e nem sempre bem empregados- o conversível é bastante sóbrio. O interior, branco e vermelho, é tão sóbrio quanto. Apesar da incomum profusão de cores, o auto é bastante interessante.

Sensacional Fastback '66!

GT 1968
Seria um verdadeiro sacrilégio se eu deixasse de mostrar estes Mustang! Eram os carros mais concorridos do evento, sempre havia alguém com uma câmera fotografando- ou fazendo pose ao lado destes muscle cars.

1968 ficou conhecido como "o ano que não acabou" por causa de inúmeros acontecimentos que se deram ao longo deste ano: Guerra do Vietnan, AI-5 e tantos outros eventos marcantes em nossa História. Pois foi neste ano tão significativo em que nasceu esse Mustang GT cor de sangue. Seu irmão fastback é dois anos mais velho, mas não menos interessante! Uma bela dupla de Mustang, não acham?

Incrível Galaxie 1967, o qual ainda roda. Silenciosamente...
Até 1966 a Ford só produzia veículos pesados. Porém, em 1967, surgiu o primeiro Ford feito no Brasil (Houveram os Ford T no começo do século passado, mas eram apenas montados no Brasil; diferente do Galaxie, o qual era feito em nossa terra).

Galaxie, o carro status da Ford brasileira.
A Ford começou com pé direito: até hoje a linha Galaxie é conhecida pelo seu requinte e conforto. Também pudera: nenhum carro nacional reunia tantos itens de luxo, como a direção hirdáulica, o ar-condicionado, acabamento interno primoroso e até a abertura dos quebra-ventos era feita por uma manivela!

Junte estes equipamentos, um motor V8 com boa potência e excelente durabilidade, o primoroso isolamento acústico do motor e transmissão e uma suspensão confortabilíssima: receita certa de sucesso.


Em 1967, a Ford comprou a Willys-Overland. A absorção total WOB pela Ford só aconteceu mesmo em 1969, onde ocorreram várias mudanças. A Ford alegou na época que realizou 406 modificações nos veículos da antiga Willys: melhor vedação, melhorias no sistema de freios (tambores mais grossos e lonas com maior coeficiente de atrito), novos mancais no motor, eixo traseiro redimensionado, etc.

E as mudanças mais evidentes, como a aplicação do oval da Ford, no lugar do "w" estilizado da Willys. Apesar dos novos scripts, curiosamente o Aero-Willys passou a ser chamado pela Ford como Aero-Willys Ford.

 Note o oval da Ford e o botão da trava da marcha-à-ré na ponta da alavanca do câmbio.
Mecanicamente falando, este Aero dispunha das tecnologias da época: câmbio com quatro marchas (com a alavanca de acionamento na coluna de direção), farta instrumentação no painel (amperímetro, pressão do óleo do motor, velocímetro, marcadores de temperatura e nível do tanque do combustível, além das luzes testemunhas) e banco dianteiro inteiriço.


Detalhe da traseira do Aero '71

Em 1971, ano do modelo fotografado, o Aero foi descontinuado pela Ford. Ele já não estava mais no top five dos mais luxuosos e modernos da época, porém ainda conservava as linahs mestras do Aero '63. Esta unidade presente no evento estava num impecável estado de conservação. Fiquei observando-o por vários minutos, tamanha originalidade!

Também produzido em 1971, este Torino dispensa comentários. Simplesmente deslumbrante!

Maverick Sedã 1974
Maverick GT 1975
Maverick Cupê '74. Deslumbrante!
Os Maverick nacionais são figurinhas carimbadas em qualquer evento automobilístico. Afinal, na opinião de muitos, os Maverick são autênticos muscle cars nacionais! Tiveram vida curta, mas bastante siginificativa para a hsitória automobilistica nacional.

O Canto do cisne: Maverick '79.
Destaco este cupê Super Luxo de 1979, da última safra dos Maverick produzidos. Além de contar com o fantástico motor 2300 (não tão emocionante quanto o V8, mas radicalmente melhor que o 6 cilindros oferecido até 1974), o auto dispõe de transmissão automática, algo raro nos Maverick nacionais.

Vi este rodar pelo evento, e atesto: roda com a justeza dos zero-quilômetros! Parece que havia saido ontem do stand da Dipronal, antigo concessionário Ford de Floripa.

Cupê 1975
Raro sedã 1976
Cupê 1977
Finalizando esta postagem, lá vão estes três Corcel. Estes três anos foram os últimos da primeira série do Corcel, a qual durou de 1968 até fins de 1977, época em que foi lançado o Corcel II.

O Cupê 1977 chamou-me a atenção, pois era muito original. Ví muitos destes na minha infância, e eram figurinhas fáceis no trânsito florianopolitano. Belos carros, muito bem  conservados!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Foto da Semana

Apesar de ser fã confesso dos Dodges nacionais, admito que também aprecio os Aero-Willys, principalmente os pós-1965, ano em que o Aero sofreu algumas modificações estéticas que deixara-no mais bonito.

O Aero '65  não dispunha do famoso motor 3000, disponível somente em em 1967, mas andava bem. Em tempos de Fusca 1200 e Gordini, marcar mais que 140 km/h era bastante coisa...

Bela foto, de Armando Rozário, publicada na Quatro-Rodas de abril de 1965.
O Aero-Willys era um bom carro, e sobreviveu alguns anos depois que a Willys foi absorvida pela Ford. Pena que não se fazem mais fotos como antigamente, onde o piloto (na foto, o melhor redator que a QR já teve, Expedito Marazzi) levava o carro no limite! Imagine este Aero entrando forte numa curva feita nesta areia fofa...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

19º Encontro Sul-Brasileiro de Veículos Antigos (Parte IV)

Prosseguindo a série de postagens com os melhores do encontro (acreditem, ainda há muito mais a ser mostrado), hoje é a vez dos Fiat.
Começo com este simpático 500 A Cinquecento de 1946, apelidado de Topolino. Pra quem não sabe, o topolino é um pequeno camundongo da espécie Mus musculus. Apelido bastante adequeado ao pequeno Fiat pós-guerra, não concordam?

Piccolo ma valente: O Topolino pode ser um pequeno ratinho, mas é valente!
A Itália, devastada pela 2ª Guerra Mundial, enfrentava uma baita crise econômica, onde faltava tudo- de comida à gasolina. Apesar de ter sido lançado em 1936, um pouco antes do auge do grande conflito, o Topolino tornou-se uma das melhores alternativas italianas para aqueles tempos difícies.
  
Reparem na ausência do parachoque e no teto de lona: não tem como não se lembrar do Citroën 2CV.
A unidade exposta passou por uma criteriosa restauração, a qual devolveu o viço e a originalidade ao pequeno Fiat. Parabéns ao proprietário!

Ainda falando nos importados, esteve presente um Fiat 600 R 1978. Deve ser bastante divertido digirir um Fiat destes...

Interessante Fiat, um dos menores carros expostos (só não era mais baixo que os SP-2, Miura e Willys Interlagos)
Pra lembrar dos Fiat nacionais, posto estes abaixo: o primeiro é um 147 C 1985 com motor 1300. Este carrinho está num impecável estado de conservação; e pelo que pude conversar com o proprietário, ele veio rodando do Rio Grande do Sul até São José! E ele se comportou muito bem na estrada!

O acabamento interno é simples, pois trata-se do modelo C- o mais espartano. Porém o motor 1300 dá o toque especial neste simpático 147.
 
Fazia tempo que eu não via um Fiat em tão bom estado como este...

Este outro 147 C 1300 é da última safra dos 147: 1986. Parece que havia saido de um concessionário Fiat da época, pois o modelo está bastante conservado. Uma semana após o evento o ví rodando pelas ruas de São José, encarando o habitual trânsito da cidade. E garanto: o 147 está muito bem, e roda macio. Parabéns ao proprietário!

Note a ausência de encostos de cabeça nos bancos da frente, algo comum nos modelos básicos da década de 80/90
Por último, e não menos importante, mostro este Oggi CS 1983. Assim como os demais Fiat aqui apresentados, o simpático sedã está em impecável estado de conservação. Este modelo teve vida curta, pois durou de 1983 a 1985, quando foi substituido pelo Prêmio.


Primeiro sedã Fiat, o Oggi teve vida curta
Aguardem as próximas postagens! Ainda há muito carro bom pra aparecer por aqui!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Foto da Semana

Gosto bastante destas fotos que conseguem flagrar o automóvel numa situação limite numa curva. Dá pra ver o grau de rolagem da carroçaria, os pneus lutando para manter o automóvel na trajetória correta, a suspensão trabalhando no limite de seus batentes e o piloto lutando contra a força centrífuga...
Foto do acervo da Quatro-Rodas, publicada em março de 1963
Mas confesso que nunca vi uma Rural fazendo uma curva com tanto capricho. E olhe que eram os tempos dos pneus diagonais... Bons tempos, estes!

19º Encontro Sul-Brasileiro de Veículos Antigos (Parte III)

Prosseguindo a série de fotos e comentários sobre o veículos presentes no 19º Encontro Sul-Brasileiro de Veículos Antigos, detenho-me hoje em falar das pequenas maravilhas: os DKW nacionais.

Logo na entrada do evento estava exposto um clássico nacional: o Candango. O nome não é gratuito- o simpático jipe DKW (só não teve este nome por conta da Willys que detinha à época o nome "Jeep" e suas variantes) encara caminhos que só mesmo os incansáveis candangos enfrentavam na metade do século passado. Principalmente a versão Candango 4, com tração em todas as rodas. Àqueles que queriam um utilitário menos raçudo estava disponível a versão Candango 2- esta com a tração dianteira comum a linha DKW.
Candango 4 1961: robustez em 2 tempos.
Este exemplar, de 1961, está equipado com um interessante equipamento de época: a capota rígida. A DKW não dispunha deste equipamento nem como opcional; quem desejasse deveria recorrer ao recém-nascido mercado de auto-peças nacionais. Se poucos Candangos sobreviveram, imagine quantas capotas como esta ainda existem? (a do veículo da foto, de acordo com a plaqueta aparafusada na coluna "c", foi feita pela Carraço).

Reparem nas rodas que combinam com a carroçaria e a capota rígida do utilitário.
Outro feliz exemplo de automóvel bem conservado, tanto interna como externamente!
Outros DKW estavam presentes na mostra, mas este Belcar 1967 era um dos mais impecáveis. Da última safra produzida, este Belcar é um amostra de originalidade.


O Belcar, sedã do qual falaremos em outra postagem, teve a oportunidade de lançar o Lubrimat, que era um mecanismo que misturava automaticamente o óleo à gasolina. Vale lembrar que os motores 2 tempos não dispõem de cárter (reservatório de óleo, em termos simples) - o óleo é misturado com a gasolina, garantindo a lubrificação.

O engenho, bastante divulgado na época, deixava muitos proprietários receosos, pois não eram raros os defeitos do tal Lubrimat. Sem óleo o motor trava- e exige sérios (e caros) reparos. Na base do "canja de galinha e cautela não faz mal a ninguém", os proprietários dos DKW desativavam o aparelho e punham o óleo diretamente no tanque (na proporção de um litro de óleo para cada tanque de 40 litros de gasolina), como nos modelos sem Lubrimat. Como se vê, nem toda evolução tecnológica funcionava bem: que o digam os computadores de bordo da linha Fiat da década de 80...

Não faltou nem o Lubrimat, traquitana mecânica vista com muito receio na época.
Belcar: pequeno por fora, grande por dentro.

 
Aguardem as próximas postagens! Ainda tenho muito para mostrar!