Imagino que o pessoal que trabalha na área da engenharia automotiva deve sentir um bom alívio quando o veículo é lançado; há a natural ansiedade de esperar os resultados de tanto trabalho, mas muito já foi feito e agora é respirar fundo, descansar pouco e pensar nos próximos desafios. Quer dizer, nem todo o pessoal vai para o próximo projeto.
Não, não é apego ao passado, relutância com o futuro : é que a engenharia não deve se limitar aos projetos e à materialização deles, pois há a necessidade de avaliar a adequação da produção aos padrões desejados. Sim, eles testam o que é feito de todos os jeitos possíveis e imagináveis para prevenir defeitos que poderiam aparecer nas nossas mãos. Unidades geralmente escolhidas aleatoriamente das linhas de montagem e entregues para o pessoal que vai testar até o fundo do fundo: e se quebrar no meio do caminho, é até capaz de receber elogio, não uma bronca.
Trabalho duro que em sempre dava tão certo, em tudo há a falibilidade humana, mas não é por falta de tentativa. Ao menos era assim na década de 1970, tempos idos nos quais as maiores fabricantes investiam pesadas quantias em verdadeiros centros de prova, desde banho de lama salgada (acelerar a corrosão que sempre aparecia), pistas de terra, asfalto e buracos (sim, inspirados nos que temos nas nossas ruas), subidas, descidas e todo o tipo de maltrato que se poderia imaginar nas mãos de um motorista relapso, descuidado e que tem o sádico gosto de destruir a sua própria máquina.
E sobre esse universo pouco explorado das fabricantes de então a Quatro Rodas entregou uma reportagem interessante lá na edição n. 221, de dezembro de 1978, cuja íntegra nós temos o prazer de mostrar hoje:
E ainda a imaginar, penso que você deve estar a se e perguntar qual o destino dessa frota tão sofrida? Além daqueles que foram destruídos em testes de impacto (descartados como sucata após os estudos), os demais não costumavam ter mais sorte: depois das provas e mais provas, todos os conjuntos eram desmontados e o que sobrava era sucateado.
Tanto é assim que muitos nem sequer eram emplacados (usavam, nas ruas, as chapas azuis de fabricante - a particular era amarela, como as do Galaxie 500 branco nas fotos acima), sinal claro de que o fim seria inexorável e nem se deveria gastar com essas coisas de burocracia. Tempos de destruição criativa, sem computadores capazes de predizer o comportamento real da máquina.
.jpg)
.png)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.png)
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Este espaço está sempre disponível para a sua contribuição. Fique a vontade e participe, será um prazer ler - e responder - seu comentário!