domingo, 28 de abril de 2024

Catálogo da semana: Alfasud 1980

Se você costuma ler revistas antigas sobre automóveis, particularmente as do começo da década de 1970, certamente deve ter esbarrado em alguma edição que antecipava a possibilidade de a Alfa Romeo, que até então fabricava o veterano 2000 (ex-JK), teria um novo sedã grande em seu portfólio, depois chamado de 2300 e vendido entre os anos de 1974 até 1986, já sob a tutela da Fiat Automóveis.

Mas na época também se aguardava um outro veículo, o Alfasud. Lançado em 1971 na Itália (e que foi o primeiro produto da nova fábrica da marca, em Pomigliano d'Arco, no sul do pais, daí o nome Alfa + Sud), o carro era bem moderno: motor boxer arrefecido por líquido, boa aerodinâmica, freios a disco dianteiros próximos ao motor (in board mesmo, como em vários Citroën), este, no lançamento, com cilindrada de 1,186cm³ e potência adequada para seu uso mais citadino.

Depois a coisa melhorou com a versão Ti com um pouco mais de capacidade volumétrica e 68cv; em 1978 já se tinha o motor 1,5l de 85cv e as coisas até que iam bem. Tanto que dois anos depois o carro recebeu o seu primeiro redesenho, como mostra este catálogo interessante disponível no interessante site Love To Acelerate:






Três anos depois, em 1983, as versões de duas portas foram substituídas pelo Alfa 33, esta uma natural evolução do carro para melhor agradar ao mercado e reduzir alguns custos; o Alfasud tinha a péssima mania de enferrujar e outros pequenos problemas, mas fracasso não foi: vendeu algo perto de 890.000 unidades e certamente fez muita gente feliz pelo mundo.

Mas não aqui: o projeto Alfasud não saiu da cogitação ou de testes mais preliminares. Respostas para a morte antes do nascimento não são tão difíceis de se estimar: a nossa Alfa Romeo não era lá uma empresa com alta rentabilidade e os custos para fazer o pequeno Alfa aqui seriam astronômicos. A mecânica era diferente da que equipava o 2000/2300 e só isso exigiria extensa inversão de capital, além de todo o projeto de adaptação e tudo mais. Acredito que alguém fez as contas e percebeu facilmente que não valeria a pena.

Temos de lembrar que as fábricas de automóveis gostam de dinheiro, e não há nada de errado nisso. E elas também precisam gastar muito para receber o tanto de retorno que esperam (e é um risco); lançar um Alfasud seria muito, muito mais dispendioso do que o Alfa 2300, este uma evolução natural do cansado FNM 2150 e com muitas coisas aproveitáveis (lembra da questão do custo?). O pequeno Alfa seria um carro novo de ponta a ponta e isso implicaria em investimentos talvez mais altos do que a fábrica poderia bancar (e arriscar) e o mercado poderia absorver. Compreensível, portanto, que o projeto não tenha vingado, apesar dos ótimos predicados.

Pena, pena mesmo. Dos nossos "quase nacionais" que não saíram da cogitação, o Alfasud seria um dos mais legais; agora só pela burocrática via da importação para ter um em casa. 

11 comentários:

  1. Assim como o Alfa Romeo 33 chegou a receber a opção por um motor turbodiesel de 3 cilindros em linha como opção ao boxer a gasolina, quem duvidaria que dessem um jeito de fazer algumas modificações no modelo original para reaproveitar componentes dos sedãs em um eventual Alfasud abrasileirado?

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    1. Pois é, meu caro, o Alfasud sempre me deixou com essa dúvida a respeito de como seriam as coisas no mercado se ele fosse produzido, certamente agitaria as águas e forçaria uma melhora na concorrência. E não ficaria surpreso se ele recebesse eventualmente um motor Fiat ou algo do gênero mais convencional para melhor agradar nosso mercado. Pra mim, o Alfasud foi um dos melhores carros que nós quase tivemos...

      Grato pela visita!

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    2. Tendo em vista que o motor Tipo 124 da Fiat chegou a ser oferecido na Europa até com uma versão de 2.0L para uso no Campagnola, e foi a partir desse motor 124 que surgiu o Fiasa, seria relativamente fácil até a Fiat implementar algum motor diferenciado para ficar com uma imagem de maior prestígio no Alfa Romeo. Além do mais que o brasileiro ainda tinha esse costume de tratar a cilindrada pura e simples como fator de prestígio.

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  2. Que pena que não foi produzido no Brasil, tinha um acabamento muito superior aos demais carros médios da época, painel avançado e principalmente a ergonomia eram primorosos. Esse do catalogo deve ser um dos últimos modelos, parece ter ate relógio digital.

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    1. Pois é, meu caro Xracer, foi uma pena ele não ter sido feito no Brasil, seria um interessante Alfa por aqui, mas a fábrica parecia mais empolgada em vender caminhões e chassis de ônibus, tanto que o 2300 foi repassado para a Fiat produzir em Betim. O Alfasud poderia ter representado um grande avanço no nosso mercado, pena que não saiu dos planos...

      Grato pela visita, grande abraço!

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  3. Não falo muito de Alfa Romeo, mas gosto dos TI 2300 até mais do que as "três grandes" de Detroit. O jeito como os Alfa 2300 eram refinados, mesmo usando uma plataforma de 20 anos, era reflexo de uma mentalidade diferente.

    Mesmo na Itália, a Fiat já tinha controle majoritário da Alfa (a própria Ferrari foi passada pra família Agnelli à um certo contragosto do velho Enzo e com muitas condições), e com o sucesso dos compactos FF da Fiat, duvido que os Alfa compactos passariam como compactos baratos ao nível de um Fiat 147.

    O Alfasud entraria na categoria média do Passat e Del Rey.

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    1. O 2300 era um carro muito interessante, apesar de ele não ter sido exatamente um sucesso na Europa quando foi por lá vendido como Alfa Rio (se não me engano o nome era esse).

      A Chevrolet se irritava bastante quando a QR comparava o Diplomata 151-S com o 2300 - a cilindrada era semelhante, o que tornava coerente a comparação, mas o rendimento... - mas era um sedã muito coerente para o mercado, superior em vários aspectos, depois de 1983 recebeu retoques para ficar mais macio, só merecia mais carinho da Fiat, que o herdou da Alfa Romeu um tanto a contragosto.

      Quanto à faixa de mercado, sua análise é precisa, certamente ele entraria junto do Passat, Monza e Del Rey, mas, infelizmente, o projeto ficou na gaveta...

      Grato pela visita!

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  4. Caro Douglas Antunes, espero que continue com suas postagens incríveis neste excelente blog! E me desculpe pelo excesso de mensagens... Espero que sejam minimamente úteis! Antigomobilismo é isso também, é compartilhamento de informações, ainda que sejam sobre os menores detalhes de um carro de outrora. Esperamos novas postagens em se blog!

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    1. Meu caro, agradeço muito as suas mensagens com valiosos comentários. A participação dos leitores enriquece muito o que publico aqui, aprendo sempre bastante sobre o variado universo automotivo.

      A falta de tempo e a invasão à conta do Google que uso aqui me impediram de ser mais assíduo nas postagens (abaixo recebi um puxão de orelha bastante pertinente), mas aguarde os próximos dias, farei o possível para manter esse espaço o mais atualizado. E fique sempre muito à vontade em prosear, o espaço está e sempre estará aberto às amigas e aos amigos que também gostam dos automotores.

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  5. Este blog já foi melhor... Agora não responde mais nada, nem para dizer um simples "obrigado" (seria o mínimo). Enfim, este blog caiu na vala comum juntamente com os outros, desprovidos de educação, assim como ocorre nas redes (anti)sociais. QUANDO PERDE-SE A HUMILDADE, PERDE-SE UM DIFERENCIAL.

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    1. Prezado,

      Você tem razão em apontar a demora em responder os comentários, mas não foi por um menosprezo ou algo do tipo, mas por fatores que superaram a minha vontade (a perda da conta do Google, que foi invadida e demorei um tanto a recuperá-la) e o excesso de trabalho (não são raros os dias em que fico mais de dez ou doze horas no expediente, além de muitos afazeres).

      Lamento se passei a impressão de indiferença aos leitores e deixo aqui o compromisso de colocar todas respostas aos comentários em dia e, ainda, regularizar as postagens.

      Peço desculpas e espero contar com sua presença aqui nas próximas semanas, com novas postagens e conteúdos que espero contarem com sua presença e comentários.

      Grato e até breve!

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