Quando pensamos num Corcel II, a imagem que se forma é a de um carro honesto, acabamento muito bem executado (com especial ênfase à versão LDO, com vários quilos de material antirruído a garantir um isolamento acústico muito bom), durabilidade acima da média (é o carro do trabalhador brasileiro!) e um desempenho pacato, até discreto. A suspensão é um bocado macia e nas curvas ele aderna com gosto (e isso não faz dele pouco instável, é questão de costume), então a gente não diria que um Corcel é exatamente um carro vocacionado para andar mais forte.
De outro modo, quando se fala do Passat, usualmente se chega à imagem de um carro de ótima estabilidade, mecânica avançada pra época (e com doenças infantis superadas durante os anos de fabricação e desenvolvimento, como aquela que acometeu os trambuladores das primeiras unidades, eram nada precisos) e com um desempenho dinâmico bem convincente bancado por um consumo nada exagerado.
São veículos de personalidade diferente, certo? Não muito: chega a ser surpreendente o resultado da comparação das versões esportivas do Passat e do Corcel, porquanto o TS e o GT não estão lá tão distantes assim, como podemos perceber do comparativo feito pelo pessoal da Auto Esporte para a edição n. 199 (de 1981) da Auto Esporte, cuja íntegra temos o prazer de compartilhar:
Para o meu gosto pessoal, o Passat TS é o meu preferido (prefiro o acerto mais firme de suspensão e o discretíssimo charme esportivo da versão em termos de visual), mas chega a ser desconcertante perceber que o Corcel II GT, apesar da fama de ser um carro meio soneca, não estar tão longe assim do Volkswagen numa prova de desempenho. E fica a reflexão: nem todos os estereótipos do mundo automotivo são verdadeiros. Ao menos não no caso entre o Passat TS e o Corcel II 1981/1982...
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Tenho um Passat Village 85 e estou restaurando um Corcel GT 79, então posso dizer que, na prática, dá pra perceber exatamente o que você disse. O GT 1.6 tinha relação final mais curta, o que dá vivacidade ao motor em relação aos demais Corcel. E a susoensão também é mais firme, o que melhora a experiência ao volante. Os 55 kg a menos e os 6 CV a mais do Passat TS fazem alguma diferença no desempenho, compensada pelo menor consumo do Corcel. Enfim, no dia a dia, carros mais parelhos do que a crença popular acreditava.
ResponderExcluirSeu relato é muito interessante e valioso, infelizmente não tive a oportunidade de guiar um deles e o Corcel parece ser um carro ainda subestimado, graças à imagem tão divulgada de baixa potência (falsa, como o amigo pode bem dizer).
ExcluirO Passat é um ótimo carro, tenho lembranças boas de um LSE que meu pai teve, mas me parece injusto dizer que o Corcel era inferior, mas um concorrente muito bom e honesto.
A ficha técnica até pode dar uma vantagem para um deles, mas no uso diário, no feeling que a gente tem depois de guiar um e outro, a história pode ser totalmente diferente. E a economia é um fator muito importante, como antes era, de modo que são carros muito mais homogêneos do que os boatos parecem dizer.
Grato pela visita e comentário, volte sempre!
PS: como está a restauração do GT?