terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Catálogo da Semana (Uno Turbo 1994)

No décimo ano de produção do Uno, a Fiat resolveu presentear o público com uma novidade das mais interessantes, o Fiat Uno Turbo. A fábrica ítalo-mineira pegou o pacato e conhecido motor 1,3, ampliou a cilindrada para 1372,1cm³, tratou de instalar um turbo compressor Garret T2 (com pressão de serviço em 0,8bar), providenciou uma injeção eletrônica multiponto (um injetor para cada cilindro, quando a regra, na época, era um bico para todos os cilindros do motor), reduziu a taxa de compressão para 7,8:1 (para deixar o coração do bicho mais resistente à potência e à gasolina nacional) além das outras mudanças necessárias para tornar o Uno ainda menos pacato.

Qual o resultado disso? Como você poderá ver neste catálogo, disponibilizado pelo Sidney68 no Flickr dele, o quatro cilindros gerava 118cv em 5.750rpm e 17,5kgfm de torque em 3.500rpm, grandezas que garantiam ao compacto a velocidade máxima de 190km/h e uma aceleração de 0-100km/h em 9,2s, números mais do que suficientes para ultrapassar esportivos mais rápidos e potentes.

Se o Uno 1.6R já despertava a admiração dos que gostam de esportivos, o Uno Turbo 1,4 era um foguete, carro dos mais interessantes e ariscos daqueles tempos, tal como é possível antever pelo catálogo abaixo:

O visual mais agressivo era plenamente compatível com o desempenho dinâmico do encapetado Uno Turbo

O adesivo "turbo" denunciava a presença do turbo compressor; apenas faltou a luz de seta no para-lamas, presente em outras versões.

As rodas de liga tinham desenho exclusivo, assim como o para-choque pintado na cor do carro era inédito na linha Uno: os cintos de segurança vermelhos já eram tradição na Fiat desde os tempos do Oggi CSS.


O ar-condicionado não fazia parte dos equipamentos do carro, nem como opcional, falha resolvida apenas no modelo 1995. Notem o quadro de instrumentos completo, de leitura agradável.

O coração do Uno Turbo rugia forte: andava uma barbaridade, acreditem!

A ficha técnica dava água na boca
O Uno Turbo foi vendido em duas temporadas, saiu de linha em 1996, merecia ficar em produção por mais uns 10 anos, com certeza. Ele não tinha a opção do ABS e nem o luxo do Tempra Turbo (ou da versão Stile, também com o turbo compressor), mas o Uno era um verdadeiro foguete de bolso, desses que fariam corar as atuais versões "esportivas" que as fábricas costumam vender...

Um comentário:

  1. Olha só como muda a noção do que é esportividade! Eu mesmo nunca dei bola pro Uno, mas outro carro twin-turbo me fez mudar de ideia.

    Pra quem acha que cilindrada volumétrica significa alguma coisa, os australianos que eram muito mais "americanistas" nos anos 1980 tendo Holden, Ford e Chrysler como seus bastiões dos circuitos no Australian Touring Car Championship (ATCC), foram completamente humilhados pela Nissan debutar com o Skyline GTR R-32 e simplesmente "correr sobre trilhos". O motor? Um seis cilindros em linha de apenas 2.6 litros que conseguia brigar suave contra os europeus de 1.0-1.5 litros pra cima dos V8 australianos com cilindrada de 2.0 litros pra cima.

    Campeão do ATCC em 1990, 1991 e 1992! E por acaso os "americanistas" gostaram disso? Hehehe.

    Tiveram que mudar a regra para aceitarem apenas os V8 de 5.0 litros à partir de 1993 na categoria principal, enquanto que os importados corriam dentro de uma categoria chamada de "2.0 litre". Eu só consigo imaginar que se tivessem colocado o Skyline GTS de 2.0 litros com turbo, também não teria ido mal. Mas a mensagem foi clara: eficiência!

    Hoje eu ficaria contente com um Uno Turbo na garagem, embora meu olhar esteja ficando positivo em relação a Tipo e Tempra. Quer dizer... como sou lasanheiro dos bons, adoraria ter uma Elba e um Prêmio com swap e turbo. São carros que venderam bem, mas que hoje estão super esquecidos no mercado de usados. Porém, esse esquecimento permite barganhar e salvar muitos modelos que até vieram bem equipados na época. Uns 150 cavalinhos de uma preparação turbo ou aspirada já seria o suficiente.

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