quarta-feira, 16 de julho de 2014

E que tal um Voyage GTi?

Curiosamente, a Volkswagen, nos seus primeiros anos de Brasil, não queria se vincular à imagem de corridas, de automóveis mais esportivos. Mesmo o Karmann-Ghia, lançado aqui em 1962, não era vendido como uma alternativa esportiva ao Willys Interlagos, primeiro esportivo nacional.

Porém, com o passar dos anos, a fábrica alemã mudou de ideia, concebendo esportivos muito interessantes, como, por exemplo, o SP-2 (exclusividade nacional), o Passat TS (depois GTS e GTS Pointer), e os mais recentes Gol GT, GTS e GTi, máquinas interessantíssimas, de desempenho incontestável.

Quem não se lembra de um excelente Gol GTi, mesmo os das primeiras safras (1989), de desempenho elogiável, esportivo de essência?

Hoje, no entanto, não temos um esportivo forte na linha Gol. Alguém mais atento vai apontar "e o Gol Rallye?". Mas esta versão, em que pesem os seus respeitáveis 120cv, apesar de suas peculiaridades, não nos remete ao passado glorioso. Falta um modelo com mais tempero, sabe? Algo mais esportivo, com desempenho e estilo realmente diferenciados.

E pensando nisso, nessa falta que faz um esportivo de essência, abro o espaço para um dos nossos amigos, Antônio Quingosta, exímio artista, notável talento, teve a ideia de criar este excelente Voyage Sport:

Fica o apelo: pense com carinho, Volkswagen!

Desde o seu relançamento, não tinha parado para pensar como ficaria o Voyage com duas portas - e o resultado ficou ótimo. Das mãos do Antônio surgiu este interessantíssimo Voyage GTi. Notem as rodas esportivas, com pneus mais largos, de perfil baixo, pronta para curvas mais quentes.

Na traseira, o discreto aerofólio garante um visual mais esportivo, sem destoar das linhas discretas da carroçaria, atuando como prolongação da tampa do porta-malas. A dupla saída de escape é forte indicativo de que a mecânica é mais quente que o normal (que tal um 1,6 traquinado que renda uns 140cv - um turbo, quem sabe...), suspensão reforçada, mais dura, própria para um esportivo.

O acabamento interno poderia muito bem seguir a tradição do atual Golf GTi: materiais nobres, desenho discreto e funcionalidade total. E muito conforto, sim, porque um esportivo não precisa ser necessariamente um carro desconfortável...

Agradecendo mais uma vez a generosa colaboração do nosso Consultor de Estilo, fico aqui me perguntando: bem que a Volks poderia fazer um destes, não é mesmo?

domingo, 13 de julho de 2014

Propaganda da Semana: Ford LTD Landau (1972)

Se você quisesse um carro muito luxuoso, e tivesse muito dinheiro disponível, opções não faltariam. Em 1972, o mercado estrangeiro estava aberto, era possível importar carros do exterior, àqueles tempos, inclusive, tal como agora, era possível trazer ao Brasil qualquer automóvel, independente do seu preço lá fora.

Porém, quem pretendesse uma opção nacional, o comprador teria boas opções: o Chevrolet Opala De Luxo, obviamente com o motor de seis-cilindros, maravilha da engenharia, motor robusto (até hoje arranca suspiros demorados dos seus doos); o Dodge Dart De Luxo, com um motor igualmente excelente, V-8 altamente durável, andava mais do que seus pneus diagonais conseguiam suportar com certa margem de segurança.

A terceira opção estava na linha Ford: o Galaxie básico, modelo drasticamente simplificado (hoje muito raro, aliás), o Galaxie 500, versão de lançamento, com acabamento muito bom e boas opções de acessoriamento - e o Ford LTD Landau, o topo de linha, caríssimo carro nacional, o mais caro entre os de produção em grande série.

O LTD era de limited, carro com tiragem limitada, para poucos endinheirados. Claro, não se prestava para desempenhos esportivos, tampouco faria bonito em curvas muito quentes - mas era um carro muito confortável, referência até hoje em termos de maciez.


O comercial, filmado em cores, coisa muito rara naqueles tempos, dava uma ideia da utilização ideal do veículo, carro com status elevado, ideal para ir do ponto A ao ponto B esbanjando muita classe...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A história da Motor-3 Edição nº. 02 (Agosto de 1980)

Como todos nós sabemos, apesar de ter uma capa bem "tranquila", a recepção para nova revista de automóveis foi bastante calorosa, despertando a curiosidade de muitos dos automobilistas sedentos por novidades na imprensa automotiva nacional.

Para agosto de 1980 (mês em que a tradicional Quatro-Rodas comemorou vinte anos, com direito a uma edição especial suplementar, muito bem feita por sinal) a nossa querida Motor-3 trouxe um carrinho bastante interessante, o Chevette S/R, exercício de estilo promovido pela General Motors e trazido ao público pela primeira vez.

A capa tem desenho simples, mas não se enganem: tem muita informação boa dentro da revista! (foto: spinbrothers.blogspot)
Falando em primeira vez, essa edição trouxe uma tremenda novidade para o nosso país (e também da América Latina): Fernando de Almeida testou o recém-lançado Embraer 711ST, o Corisco II Turbo, aeronave montada sob licença da Piper. Aliás, se você gosta de aeronaves tanto quanto eu, dê uma passadinha neste link e conheça melhor esse fantástico monomotor.

A n. 02 consolidou o projeto Motor-3 de qualidade, com a acertava visão de não concorrer com as maiores e já estabelecidas revistas do ramo, mas de trazer um novo (e riquíssimo) ponto de vista sobre os automóveis - e trazendo outros universos igualmente fascinantes, como a náutica e o motociclismo.

A postagem foi breve, mas logo logo tem mais. Afinal, a edição n 03 também tem história pra contar...

domingo, 6 de julho de 2014

Propaganda da Semana: Volkswagen Gol Copa (1982)

Reconheço que não sou grande fã do futebol. Nada contra, absolutamente, é questão de gosto pessoal, mesmo. Apesar de torcer para alguns times, e eventualmente acompanhar a tabela das séries do campeonato brasileiro, não costumo me inteirar do assunto.

Contudo, gosto das Copas do Mundo. Claro, não perco as corridas de Fórmula-1, mas eventualmente paro para ver um jogo da Copa, partidas que, por sinal, costumam ser interessantes. Sabem como é, o evento tem seu charme, seu magnetismo, tanto que é capaz de chamar a atenção de um automobilista empedernido.

Pensando nisso, alguém da Volks teve uma ideia interessante: e que tal associar o nosso Gol à Copa? Sim, gol e copa são termos muito afins, um é direta consequência do outro - e o sucesso não poderia deixar de aparecer.

Além do mais, vale acrescentar mais um dado: hoje o Gol é um grande campeão, vendeu mais que o mítico Fusca, está à venda por 34 anos (ainda que, em sua essência, sejam carros tremendamente diferentes) e com público cativo.

Mas lá em 1982  a situação não era das melhores. O Gol nasceu discreto, pouco sucedido, vítima de um mirrado motor 1,3 refrigerado a ar, herança do simpático Fusquinha, donde o seu desempenho anêmico e consumo apenas razoável. A chegada do motor 1,6 (o 1600 "a ar") trouxe esperança à linha - e nada melhor do que uma série especial para levantar a moral do substituto do Fusca.


A copa de 1982 foi sediada na Espanha, donde o uso do espanhol no anúncio (fonte: propagandadecarros.com.br)

El Gol Copa era, em verdade, um LS 1600 com interessantes detalhes de acabamento, tanto internos quanto externos. Por fora, uma faixa exclusiva percorria a lateral, com o dizer "copa"em letras maíusculas. Para-choques com polainas plásticas, rodas de liga leve (utilizadas pela Parati e Voyage LS), um par de faróis de milha (um tanto vulneráveis às pedras e buracos do caminho), além de uma pintura azul-metálica bem bonita.

Por dentro, padronagem em desenho diferenciado, com detalhes de acabamento semelhantes ao Voyage e Parati mais equipados. No painel, um conta-giros (mal localizado) e um relógio. O volante, de tamanho menor do que o padrão, era o mesmo utilizado pelo Passat TS.

Dois detalhes curiosos: ao invés do nome da versão, a Volks providenciou o desenho de uma bola de futebol, item de acabamento bastante raro de se achar. O vidro traseiro também ostenta novidade, um adesivo escrito "copa" em sua porção inferior, detalhe semelhante ao utilizado pelo Gol GT tempos depois.

A série foi limitadíssima, poucos deles sobreviveram, os remanescentes são disputados a tapa pelos colecionadores (tudo bem, eles não se estapeiam, mas, convenhamos, é um carro bem desejado). E apesar de ser uma discreta tentativa da VWB, fez um tremendo sucesso: afinal, quantas séries especiais já foram lançadas mais de uma vez?

O Gol teve um começo difícil. Mas teve - e ainda tem - uma interessante e bem-sucedida história pra contar.