segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Koizyztraña

A revista Motor-3 tinha como filosofia o lema "curtição leva a sério". Com seu texto leve, envolvente, mas sem deixar de abordar os aspectos mais técnicos, a revista trouxe um novo paradigma para o jornalismo automotivo. Apesar de ter uma vida muito breve (diria brevíssima), a M-3 ainda existe na cabeça de muitos apaixonados, inclusive a desse que vos escreve.

Dentre tantas matérias incríveis, como essa, a Motor-3 ensinou o leitor a fazer um Chepala (Chevette com motor de Opala), trouxe os testes de aviões (com o saudoso Fernando de Almeida) e montou um bicho muito interessante. É que o José Luiz Vieira, diretor de redação, teve uma ideia muito curiosa: e que tal criar um veículo de uso esportivo que não use a plataforma VW

Naqueles tempos, começo dos anos 1980, a mecânica dos Volkswagen nacionais era lugar comum nos veículos ditos "fora de série". Baixo preço, confiabilidade a quase toda prova, facilidade de montagem e revenda fácil fizeram com que um sem-número de bugues, jipes e até mesmo utilitários utilizassem a plataforma da Volks e o seu já clássico motor refrigerado a ar. Uma verdadeira coqueluche, aliás.

Mas o pessoal da revista, capitaneado pelo JLV, trouxe uma solução bem diferente daqueles tempos: um semi-off-road, feito com base na plataforma do Landau, equipado com um interessante motor V-8 Ford a álcool, com a transmissão de quatro velocidades (com alavanca no assoalho) do Maverick, tudo isso envolvido com um chassis tubular feito sob medida, com muito carinho.

O nome escolhido para invenção é bastante sincero: Koizyztraña. Sim, uma coisa estranha, daquelas que chamam muito a atenção. "Um carro interessante para farras", como a revista bem o definiu.

E poderíamos aqui gastar muitos parágrafos para descrever o bicho. Mas é desnecessário, pois trazemos o relato do grande JLV, publicado na Motor-3 de agosto de 1983. Recomendo fortemente a leitura:




Reportagem digitalizada da Motor-3 do nosso acervo.
Desconheço o paradeiro do interessante esportivo amarelo-Kodak. Se você souber de alguma informação (ou se é um sujeito de sorte,  leia-se o dono do possante), por favor deixe um comentário. E se não souber, mas gostar do bicho, deixe também um comentário: aqui o espaço é de todos.

Em tempo: para ver se alguém se anima a criar um destes, ou similar (mas dentro da mesma filosofia de curtição), segue uma ficha técnica bem resumida, baseada nas informações contidas na reportagem acima, com alguns dados mais relevantes do Koizyztraña. Vai que um automobilista se anima e resolve fazer um igual...

Motor: (o mesmo utilizado pelo Landau 1981, movido a álcool):

Dianteiro, oito cilindros dispostos em “v”, quatro tempos, refrigerado a água.  Diâmetro x Curso dos pistões: 101,65 x 76,20mm. Cilindrada total: 4.950 cm³. Razão de compressão: 11:1. Potência máxima (ABNT): 113,1 Kw (154cv) a 4.200 rpm. Torque máximo (ABNT): 348,8Nm (35,6 mkgf) a 2.000 rpm. Alimentação por carburador de corpo duplo de fluxo descendente. Combustível: álcool hidratado.


Transmissão: (a mesma utilizada pelo Maverick V-8):

Embreagem do tipo monodisco a seco, de comando mecânico; quatro velocidades para frente (1ª 2,92:1; 2ª 2,03:1; 3ª 1,42:1 e 4ª 1,00:1), todas sincronizadas, e uma velocidade à ré (3,45:1), com alavanca de acionamento no assoalho. Relação do diferencial: 3,07: 1. Tração traseira.


Carroçaria:

Construída sobre o chassis perimetral do Ford Landau, de tipo tubular, com para-choques integrados. Tanque de combustível com capacidade para armazenar 107 litros, posicionado sobre o eixo traseiro. Bancos individuais para quatro passageiros, todos equipados com cintos de segurança de três pontos. Cor predominante: amarelo-Kodak, especialmente desenvolvida para o carro.


Suspensão (aparentemente é a mesma da linha Landau, sem alterações):

Dianteira: independente, com braço triangular superior, braço simples inferior, tensores diagonais, molas helicoidais, barra estabilizadora e amortecedores hidráulicos telescópicos.

Traseira: eixo rígido, tensores longitudinais, braço de reação, barra transversal tipo Panhard, molas e amortecedores hidráulicos telescópicos. 

Sistema de direção:
Tipo setor e rosca sem-fim, sem assistência hidráulica. Redução 24:1.


Freios (em princípio é o mesmo da linha Landau):

Disco autoventilado nas rodas dianteiras e a tambor nas traseiras, de acionamento hidráulico com servofreio. 
Freio de estacionamento, de acionamento mecânico, atuando nas rodas traseiras, com possibilidade de acionamento individual (aparentemente, ao se olhar uma fotografia, o veículo utiliza um recurso semelhante ao Seletracion da Gurgel. As alavancas de acionamento são as mesmas).


Rodas e pneus:

Rodas Mangels de 15 polegadas, com pneus Maggion 10x15.


Peso
Aproximadamente 1.100 kg em ordem de marcha. Relação peso x potência estimada em 7,14 kg/cv.

Acessórios:
Buzina eletro-pneumática, com acabamento cromado, instalada externamente, ao lado do cofre do motor; luzes de ré móveis; engate traseiro incorporado ao para-choques; rodas de liga leve Mangels; espelhos retrovisores (aparentemente os da Kombi).

5 comentários:

  1. Olá Douglas, boa noite. Encontrei este post sobre a Motor3 e gostaria de perguntar se você tem a matéria do Chepala? Ou se pelo menos sabe qual a edição da revista em que saiu a matéria.
    Obrigado.

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigado Douglas.
    Estou te enviando um email...
    Quero montar o meu, e queria mostrar pro mecânico a matéria da revista. Sei que tem uns detalhes da transmissão, que é onde está o segredo da modificação.
    Muito Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E-mail enviado, Bera Silva.

      Espero que te ajude na montagem do teu Chepala - e depois nos conte como ficou o projeto.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

      Excluir
    2. sobre o Koizyztraña,foi comprado em um ferro velho, nao sei bem cidade,pelo jose zembrod a anos atras.acho que esta com ele ainda.

      Excluir
    3. Prezado,

      Que bom saber que o Koizyztraña ainda existe! Pena que ele foi parar em um ferro-velho, mas espero que esteja vivo, até mesmo rodando por aí, divertindo seu(s) dono(s) a beça!

      Muito grato pela contribuição!

      Excluir

Este espaço está sempre aberto para sua colaboração.
Os comentários são sempre bem-vindos.